A seleção do Marrocos contará com dois grandes reforços para o duelo com a Espanha, hoje, em Kaliningrado. Ao menos na torcida. Fãs do Liverpool e do Egito provavelmente estarão ligados no jogo para se juntar aos marroquinos, com atenção especial em secar um espanhol: Sergio Ramos.
Desde que participou do lance que lesionou Mohamed Salah e o tirou da partida na última final da Liga dos Campeões, vencida em maio por seu Real Madrid sobre o Liverpool do egípcio, Ramos é certamente um dos atletas mais odiados do mundo. E ele não faz questão de reverter essa imagem.
Só nas últimas semanas, o capitão da Espanha rebateu declarações de Roberto Firmino, companheiro de Salah no Liverpool, de Diego Maradona e discutiu em campo com o técnico português do Irã, Carlos Queiroz.
Antes mesmo da Copa começar, Firmino disse que Ramos foi “idiota” tanto no lance que originou a lesão de Salah como na trombada com o goleiro do clube inglês Karius, que teve uma concussão durante a partida, mas que não pode ser creditada ao choque entre os dois.
O episódio com Maradona envolveu uma declaração do ídolo argentino de que o zagueiro do Real Madrid não é um craque, como por exemplo, em sua opinião, é o uruguaio Diego Godín. Sergio Ramos respondeu dizendo que respeita Maradona, mas que o maior jogador da história da Argentina é Messi.

Jornal de Brasília
No confronto com o Irã, o zagueiro discutiu com Carlos Queiroz. Após o jogo, depois de o espanhol Carvajal reclamar da falta de lealdade dos iranianos, Queiroz respondeu que o lateral direito deveria olhar mais para o próprio elenco e ver quem é que “tirou um egípcio da Copa do Mundo”, referindo-se à lesão no ombro de Salah.
Sergio Ramos parece pouco se importar. E o ambiente de hostilidade entre colegas do futebol não é uma novidade para ele.
Contratado pelo Real Madrid em 2005, o zagueiro nascido na Andaluzia abraçou a causa madridista, que transcende os gramados.
Seu companheiro de zaga na seleção, Gerard Piqué, é catalão e publicamente favorável à independência da Catalunha. Toda vez que Piqué joga pela equipe nacional fora de sua terra natal, é vaiado pela posição independentista. Ramos, capitão do clube de Madri, não toma partido na defesa do colega.
Capitão da Espanha desde a última Eurocopa, em 2016, Sergio Ramos tem 153 partidas pela seleção e estava no grupo vitorioso que conquistou a Copa do Mundo de 2010 e as Euros em 2008 e 2012.
Para este Mundial, a braçadeira assumiu ainda mais importância sobre um grupo que perdeu seu treinador às vésperas da competição. Julen Lopetegui foi demitido pela federação espanhola após ser anunciado como técnico do Real Madrid. Ramos evitou opiniões mais incisivas sobre Lopetegui, seu próximo comandante no Real, e preferiu receber com honras Fernando Hierro, ex-zagueiro do clube e da seleção.
Tetracampeão da Liga dos Campeões com o Real, virou símbolo da era ganhadora do time nos últimos anos. No primeiro título da sequência de taças europeias, marcou aos 93 minutos o gol de cabeça que levou a partida com o Atlético de Madri para prorrogação, vencida por sua equipe por 4 x 1.
Naquele dia, foi ao cabeleireiro ajeitar o penteado, como faz antes das noites importantes de Liga dos Campeões. O cabelo, inclusive, é parte fundamental da imagem de Ramos.
Saiba Mais
O técnico da Espanha, Fernando Hierro, foi questionado ontem sobre a força física do Marrocos, com jogadores mais fortes do que os espanhóis de maneira geral. O treinador riu e emendou boa resposta. “Se tivermos que nos basear em músculos… Somos outra coisa, mais que músculos. Temos nossas condições, nosso físico, nossa forma de entender o futebol, e os músculos não vão nos parar”, disparou.