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Das ruas do Cruzeiro (DF) para São Januário: conheça o caminho de Tiago Reis, joia do Vasco (RJ) no Brasileirão

Por Catarina Chaves – Jornal de Brasília/Agência Uniceub –
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O jovem atacante Tiago Reis, de 19 anos de idade, começou o ano com o pé direito. O jogador do Vasco da Gama é uma joia da cidade de Brasília, e, somente neste ano, marcou 13 gols com a camisa cruzmaltina. Ele faz parte do elenco que disputa a Série A neste ano. A trajetória de vida do jogador é inspiradora e mexe com o coração de todos os torcedores e amantes do futebol. Tudo começou aos 4 anos de idade na escolinha de futsal do Ajax, na Região Administrativa do Cruzeiro, que fica nas imediações do Plano Piloto de Brasília. Depois, o jogador decidiu mudar para o futebol de campo, e aos 14 saiu de casa para poder seguir o sonho de ser um atleta profissional. O primeiro clube dele foi o Goiás Esporte Clube em 2015.

Tiago passou por dois clubes até chegar ao elenco profissional do Vasco, onde tem chamado atenção, além de fazer história como vice-artilheiro na Copa São Paulo de Futebol Júnior 2019, mais conhecida como Copinha. Devido à participação no time de base, em nove jogos e nove gols, surgiu então a oportunidade de subir e jogar no time profissional. No decorrer do Campeonato Carioca, Tiago entrou, marcou e provou para todos que surgia, com ele, uma grande promessa. O atacante com jeito de artilheiro foi eleito atleta revelação da competição.

Confira a entrevista

Conte para a gente qual foi trajetória que você percorreu até chegar ao time principal do Vasco.

Tiago Reis: Meu pai e eu escolhemos fazer uma peneira lá no Goiás, fizemos a inscrição no site, meu pai foi parceiro! Fomos de carro para Goiânia e lá na peneira tinha muita gente, umas 100 pessoas e acabaram ficando apenas eu e mais um (atleta). Fiquei uns 2 anos e meio, de 2015 até 2017. Foi ‘maneiro’ porque foi meu primeiro clube, primeira base, primeiros jogos, primeiro tudo. Foi lá que eu comecei a conhecer mesmo o futebol, toda a malandragem do futebol, tudo que acontece… lá eu também virei centroavante, antes eu era meio de campo. Jogava com a camisa 10 e lá mesmo eu jogava com camisa 9 porque eu fazia muito gol.. Aí surgiu a possibilidade de jogar no Cruzeiro (MG). Ia ficar duas semanas de teste e eu acabei ficando no Cruzeiro. Fiquei um ano lá mas não tive muita oportunidade. Era um clube que não me usava muito. Ficava muito na reserva, não jogava… e foi então que eu junto da minha família e do meu empresário, decidi meter o pé do Cruzeiro e aí pedimos a liberação do clube.

Foi nessa época que fiquei 3 semanas treinando em casa, em Brasília. E vim para o Vasco treinando de teste. Acabei passando e assinei meu primeiro contrato profissional, um contrato de 1 ano. Joguei meu primeiro campeonato, o Brasileiro sub 20 na reserva, fiz um gol. No segundo campeonato (o estadual), fiz 8 gols, em 8 jogos. Fui artilheiro do Vasco, e depois teve a maior competição da minha vida, que foi a Copinha (Copa São Paulo de Futebol Júnior). Fiz nove gols em nove jogos, a gente chegou na final, foi um marco histórico pro Vasco também (o vice-campeão). Me tornei o maior artilheiro na história do Vasco na Copinha e surgiu a possibilidade de subir para o profissional, imediatamente as coisas aconteceram muito rápido. Tive a oportunidade e eu agarrei a chance que apareceu pra mim. Fiz quatro jogos no profissional fiz quatro gols, e o gol mais importante pra mim foi no clássico no Maracanã, entre Vasco e Flamengo. Foi emocionante!

Quem foi sua inspiração?

Tiago Reis: Eu tenho três ídolos. O Fred é o primeiro porque ele me deu conselhos importantes para a minha carreira e eu sempre o vi jogando bola, quando eu era pequeno ele jogava no Fluminense na época né? Fazendo gols e acabou que eu tive a honra de ver jogando de perto e vi que ele era diferente, então coloco ele em primeiro. Os outros dois eu colocaria o Romário pelos gols que ele fazia em campo, eu acho ele muito diferente. E o terceiro é o Ronaldo Fenômeno, pelos dribles e tudo que ele conquistou na trajetória

Quais foram os maiores desafios que você passou até agora?

Tiago Reis: O desafio maior que eu tive até hoje foi jogar no profissional. O primeiro jogo eu acho que foi o mais difícil pra mim, porque eu comecei titular então não conhecia muito o time. Não sabia como era a forma de jogar do treinador do profissional, não tive muito tempo para treinar com meus companheiros. Então eu estava meio nervoso, mas no final deu tudo certo. Eu fiz só o que eu vinha trabalhando. E outro momento muito difícil da minha vida foi quando eu saí do Cruzeiro (MG), quando eu pedi a minha liberação. Ai eu meio que estava sem time. Vim para o Vasco ainda sem time e podia dar certo quanto não podia dar… mas eu acho que deu tudo certo, graças a Deus.

Você chegou a pensar em desistir? Por quê?

Tiago Reis: Se eu falasse que eu nunca pensei em desistir, eu estaria mentindo. Quando vem a  dificuldade, você pensa em várias coisas, mas graças a Deus eu me mantive forte, sempre tive pessoas me apoiando, eu lembrava da minha família, dos meus amigos e todo mundo esperava que eu vencesse então eu acho que eu consegui ser forte por causa deles e a gente pensa, mas assim é coisa de momentos, no outro dia a gente já acorda com disposição e vontade de vencer. Eu acho que a gente tem que ser forte nessas horas. Uma coisa que minha família passou pra mim, ir na igreja e rezar sempre, estou sempre em contato com Deus e focado no certo, pois eu acho que esse é o caminho certo!

Qual foi a sensação ao ser escalado como titular no time principal do Vasco? E qual foi a sensação ao marcar seu primeiro gol pelo clube?

Tiago Reis: A primeira vez eu fiquei nervoso, mas nada apavorante. Estava confiante no meu trabalho, eu venho treinando muito pra isso. E o nervosismo era mesmo pelo sonho de jogar no profissional mas aconteceu tudo como planejado. Foi indescritível, na hora que eu vi a bola balançando na rede eu saí correndo e comemorando eu só queria estar com a minha família estar com eles… uma sensação muito boa, uma das maiores da minha vida.

A meta de jogar em um time grande e ter a torcida toda do seu lado já foi atingida… Agora qual a sua meta pro futuro?

Tiago Reis:  Uma coisa que eu coloco na minha cabeça desde que eu saí de casa é não pensar em um futuro muito distante, sabe? Sempre pensei no próximo passo, nos próximo jogos, próximos campeonatos… a gente sonha né? Como eu jogava em jogar no Maracanã, em jogar campeonatos importantes no profissional. Eu acho que a gente vai batendo essas metas dos sonhos, mas a meta meta que eu vou colocando é sempre o próximo jogo.

Ser o vice-artilheiro da Copinha abriu portas para você, certo? Você esperava ser chamado tão rápido para jogar como titular no time principal do clube, antes mesmo de fazer uma boa atuação na copinha?

Tiago Reis: A Copinha é o maior torneio de base do futebol brasileiro e eu pensava comigo mesmo que essa competição podia mudar a minha vida, como mudou né? Fui eleito o vice artilheiro, fiz gols decisivos e quando eu estava na copinha eu pensei em subir pro profissional, mas não esperava ser titular tão rápido… pois tem gente com mais experiências e mais tempo de clube, mas acabou que deu tudo certo e foi fruto de um trabalho né?

Como é para você a questão da adaptação e transição entre os times, tanto do Cruzeiro para o Vasco, quanto da base para o principal?

Tiago Reis: Eu acho que é uma adaptação que todos os jogadores passam>  os grandes jogadores jogam em várias clubes,  é uma coisa que todo mundo passa e em questão de meses já consegue se virar, eu acho que cada clube tem suas metas, seu jeito de jogar e o jogador tem que se adaptar, se o treinador passa alguma coisa que você não fazia antes,  você passa a fazer… e eu acho que o atleta só tem a ganhar né? Mais experiências, eu mesmo joguei em 3 clubes e cada um eu aprendi muita coisa.

Qual a sua opinião sobre as estruturas dos clubes? E sobre a tragédia no CT do flamengo?

Tiago Reis: Os clubes eles pecam pouco ainda quando eles falam de base, pois aqui nós temos grandes talentos e acaba que as situações são bem difíceis. Eu mesmo já passei por algumas dificuldades na base, de alojamento de estrutura, coisa que o atleta tem que passar né? Dar a volta por cima, sofrer um pouco… mas coisas que os clubes brasileiros poderiam melhorar né? A gente vê eles pagando tão caro por atletas, milhões pelo profissionais, a gente poderia ter evitado essa tragédia como poderia acontecer em outros clubes também… eu moro em alojamento, e podemos ver que é um pouco ruim, poderia ser melhor…

Como é morar em um alojamento embaixo da arquibancada?

Tiago Reis: Quando eu cheguei aqui no Vasco a arquibancada tremia, eu achava maneiro, eu via a galera torcendo, o povo chegando e tal… o povo acha que por ser debaixo da arquibancada é tudo sujo, mas não. É tudo organizado, tudo limpinho, mas é maneiro essa parte porque a arquibancada tremer mesmo e a gente vê a torcida chegando toda animada, dá até uma inspiração para jogar.

Qual a sua opinião sobre a saída dos jogadores para a Europa? Tendo como exemplo o Paquetá, Vinicius Junior, Reiner…

Tiago Reis:  Eu acho que é um processo natural. É o grande sonho de todos os garotos jogar na Europa, campeonatos importantes e eu acho que para a vida de um atleta é muito importante também, jogar em um alto nível… é um processo natural das joias brasileiras, onde tem um estrutura melhor..

Você tem algum sonho de jogar na Europa? Em algum time específico?

Tiago Reis: É um sonho para mim jogar na Europa, eu acho que os grande jogadores estão lá, não desmerecendo os brasileiros… a gente sonha jogar uma Champions League (campeonato europeu de clubes), campeonatos importantes de lá… time específico eu não tenho não, mas eu tenho vontade de jogar o campeonato inglês que é a Premier League (campeonato inglês), eu acho que combina um pouco com meu estilo de jogo.

Como é ficar longe de casa? E a saudade?

Tiago Reis: No começo é bem difícil, eu saí de casa muito cedo tinha uns 15 anos… sinto falta da minha casa, do meu quarto, do meu irmão. Coisas simples também, da escola, dos amigos e meio que a gente perde muita coisa, a gente chora, pensa nas coisas assim. Então para o cara chegar ao profissional tem que ser bastante forte mesmo, porque passa muita coisa na cabeça… tanta coisa que a gente perde, festa de família, reuniões, coisas que não tem como voltar atrás né? Mas agora eu já estou mais acostumado, já estou mais velho, mais maduro… mas a gente consegue consegue matar a saudade por Facetime (ferramenta do facebook de vídeo), ligações, fotos… a gente sempre dá um jeito.

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