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Cafu critica Brasil de 2018 por depender de Neymar e falta de mentalidade campeã

Para o ex-lateral-direito, a ausência de uma mentalidade vencedora foi uma das responsáveis pelo fracasso na busca pelo hexacampeonato na Rússia

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Foto: Reprodução/ Divulgação
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A menos de um mês para a estreia da seleção nas Eliminatórias da Copa de 2022, o Brasil tem todas as condições de chegar ao próximo Mundial, no Catar, como favorito ao título. Esta é a avaliação do pentacampeão Cafu, que faz, no entanto, uma ressalva em seu otimismo. “A seleção precisa ter mentalidade de campeão”.

Para o ex-lateral-direito, a ausência de uma mentalidade vencedora foi uma das responsáveis pelo fracasso na busca pelo hexacampeonato na Rússia. O Brasil caiu diante da Bélgica.

Em entrevista ao Estado em Berlim, por ocasião do prêmio Laureus, Cafu citou quem seria o substituto ideal de Tite no futuro, comentou sobre a recente dificuldade dos jogadores brasileiros em se estabelecer na Europa e revelou ser torcedor do inglês Liverpool. Garante, no entanto, que torceu pelo Flamengo na final do Mundial de Clubes. Cafu ainda comentou sobre as tentativas de Neymar de fazer história.

Por fim, o capitão do penta afirmou que já conversa com a Prefeitura de São Paulo para realizar novo trabalho social em substituição à atuação de sua fundação, perto de ser encerrada formalmente, nos próximos dias. E disse evitar falar sobre seu filho Danilo, que morreu de forma súbita aos 30 anos, em setembro de 2019. “Prefiro não falar do meu filho. Se falo, choro e aí não consigo mais falar.”

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Confira os principais trechos da entrevista:

Como campeão mundial, consegue imaginar a seleção como favorita para a Copa de 2022? Ou o Brasil será apenas mais um time no Catar?

Se eu falar que chegará como favorito, acho que você não vai acreditar. Sou muito otimista, principalmente em termos de seleção brasileira. Temos uma nata de jogadores muito boa. Se juntar a sub-17 com a sub-23, que foram campeões, temos um excelente elenco. Ainda não temos um ótimo time, que é aquele que é campeão. Juntando esses meninos com a experiência de jogadores que já estiveram em Copa do Mundo, Copa América e Olimpíada, temos uma seleção extremamente competitiva. Se nós mudarmos nossa mentalidade e colocar na nossa cabeça que temos condições de sermos campeões, acho que o Brasil vai fazer uma grande Copa em 2022.

O Brasil não teve essa mentalidade na Rússia?

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Não, basta ver a maneira como o Brasil jogou… Jogávamos em função de um único jogador (Neymar). Hoje, não é mais assim. Hoje, jogamos como seleção. Existem outros jogadores que podem suprir essa função (de líder), que podem jogar como seleção brasileira e que podem dividir a responsabilidade dentro de campo. Acho que era isso que estava faltando. De repente, caímos numa zona de conforto em acreditar que um único jogador iria resolver a partida e para a gente isso estava bom. Na nossa época, era diferente. Sabíamos que cada um tinha de fazer melhor aquilo que sabia fazer. Eu tinha de ser o melhor lateral-direito, o Roberto Carlos, o esquerdo. O Lúcio, o Juan e o Edmilson buscavam ser os melhores zagueiros. O Kleberson e o Gilberto Silva foram de extrema importância. E eram jogadores pouco falados na imprensa. Mas eles fizeram melhor aquilo que sabiam fazer. Os dois da frente (Ronaldo e Rivaldo) jogavam por música. Essa mentalidade que talvez tenha faltado para a seleção em 2018.

Tite deve deixar a seleção após a Copa de 2022. Quem é a melhor opção para substituí-lo?

Hoje é o Renato Gaúcho. Falo sem ter partido. Acho que é a melhor opção que temos para o lugar do Tite. Claro que não estou tirando o Tite do cargo. Não acho justo que um treinador comece as Eliminatórias e deixe a seleção antes do fim da competição. Isso, para mim, é falta de respeito. Se começar com um treinador, termina com ele. O Brasil não fica fora da Copa. Nunca ficou e não vai ficar fora desta também. Se nós começarmos com o Tite, vamos até o fim das Eliminatórias com ele e vamos para a Copa com ele também.

Recentemente, muitos jogadores que brilham no Brasil não conseguem espaço na Europa e retornam pouco tempo depois, caso de Gabriel e Pedro. O futebol brasileiro perdeu espaço na Europa?

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Se você chegar na Europa achando que é o melhor do mundo por tudo aquilo que fez no Brasil, esquece. Você vai ser atropelado lá. No caso do Pedro e do Gabigol, eles vêm se destacando no Brasil, mas na Europa acabaram não dando certo. E por que não deu certo? Porque a qualidade técnica do futebol brasileiro não é mais a mesma, isso é nítido, é claro. Não tem como esconder isso. O futebol brasileiro vem perdendo em termos de qualidade para o futebol europeu há alguns anos e a gente não tomou conta disso.

Um dos brasileiros que emplacaram na Europa é Neymar. O que você acha desta opção de ele buscar exposição constante, principalmente nas mídias sociais?

Acho que essa é uma decisão dele, da sua geração. Se ele acha que desta maneira está se sentindo bem, apenas temos de respeitar isso. Na nossa época, não tinha essa exposição toda, mas a época passa. Agora é algo completamente diferente. Na época do Pelé, a grande diferença é que eles (do time) foram campeões. Na nossa geração, fomos campeões. E nesta época agora eles ainda estão lutando para conquistar a Copa do Mundo.

Na sua opinião, o Flamengo jogou de igual para igual com o Liverpool?

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Na minha opinião, nunca vi o Liverpool jogar uma partida tão apática quanto aquela contra o Flamengo. E olha que torço pelo Liverpool, acompanho os jogos do time. E acompanhei todos os jogos do Flamengo, principalmente na Libertadores, para ver a maneira como o Flamengo jogava. Sabia que poderia jogar de igual para igual com o Liverpool, pelo jeito que vinha jogando. Acho que era o único time brasileiro que poderia enfrentar o Liverpool da maneira como enfrentou. Mas nunca vi um Liverpool tão apático. Nunca vi o Mané errar um gol que errou, os gols que o Firmino perdeu. E o Flamengo teve chance de empatar e, quem sabe, poderia até ganhar numa disputa de pênalti. De qualquer jeito, o Flamengo está de parabéns por tudo o que fez. Realmente foi para cima do Liverpool, jogou de igual para igual sim.

Você torce pelo Liverpool?

Na Inglaterra, sou Liverpool. Na Itália, sou Roma e Milan. Assisto a todos os jogos do Liverpool. É o meu time do coração. Já fui até no estádio lá para ver jogos. Quando o (Philippe) Coutinho estava no time, fui até lá, vi o jogo, até almocei com ele. Conheci o (Steven) Gerrard também. Sou um torcedor comum. Amo o futebol. Neste último domingo, minha filha até reclamou: ‘pai, o senhor ficou o sábado à tarde e o domingo vendo futebol, de manhã, à tarde e à noite”. Eu disse para ela: ‘Filha, é o que eu gosto de fazer, eu amo futebol’. Mas torci pelo Flamengo no Mundial. Naquele momento torci como brasileiro.

Um dia o futebol feminino terá repercussão tão forte quanto o masculino no Brasil?

Difícil. Esperamos que sim. Tanto que fizemos uma campanha dentro da própria Fifa para que o futebol feminino pudesse ter a mesma visibilidade que o masculino. Mas, internamente, eles comentam que isso é quase impossível. O futebol feminino, infelizmente, só é visto mundialmente quando tem o campeonato (Mundial). Aí todo mundo para para ver. Tivemos quase 70 mil pessoas na final, na França. Mas passou a Copa, acabou. Fala-se pouco do feminino. No masculino, acabou a Copa do Mundo você continua falando porque tem Eliminatórias, tem os principais campeonatos. Mas também é fato que o feminino já ganhou, sim, uma repercussão muito grande em comparação aos últimos anos. Pena que no Brasil nós não temos essa cultura que o futebol feminino tem na Europa. Estamos começando a chegar lá ainda.

Como está a situação da sua fundação?

Estamos preparando a documentação para fechar. Vou continuar ajudando algumas instituições. Mas vou encerrar os trabalhos na fundação porque infelizmente estou sozinho. E, futuramente, quando as coisas estiveram encaixadas, quando as pessoas perceberem que a maior formação de cidadãos acontece através das fundações, quem sabe a gente não volte a ter outra fundação. Mas já temos outro projeto, que vai dar continuidade àquilo que vínhamos fazendo no bairro.

Já tem patrocinador neste novo projeto?

Por enquanto, não. É um projeto relacionado à prefeitura de São Paulo. Então, vai dar sequência ao que vínhamos fazendo. O que fazia sozinho agora vou fazer em parceria com o Estado. Acho que a parceria será lançada nos próximos meses, antes do meio do ano, com certeza.

 

Estadão Conteúdo




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