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Brasília Vôlei dá seu adeus à elite nacional

Matheus Garzon
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Termina amanhã, às 21h30, contra o Osasco, fora de casa, a passagem do Brasília Vôlei pela elite do esporte no Brasil. O time, que participou de todas as edições da Superliga Feminina desde a temporada 2013/2014, sucumbiu à falta de patrocínios, fez péssima campanha – perdeu 17 dos 21 jogos disputados – e entra em quadra para jogar a última rodada já rebaixado para a segunda divisão do vôlei brasileiro.

A confirmação do descenso veio na última sexta, quando o time entrou enfrentou o Barueri precisando da vitória, pois estava três pontos atrás do Pinheiros e mais uma derrota significaria a impossibilidade de ultrapassar o clube paulista, pelos critérios de desempate. As brasilienses até tentaram, mas perderam por 3 sets a 0 em parciais apertadas de 25/22, 26/24 e 26/24.

O resultado evidenciou novamente a dificuldade que o Brasília teve ao longo da temporada de fechar os sets e conquistar os resultados. Para o técnico Inácio Júnior, entretanto, os problemas vêm desde a montagem do elenco. “Não conseguimos o patrocínio que queríamos, enquanto que outros times conseguiram se manter. Contratamos poucas atletas e ficamos sem muitas opções”, afirma.

A central e capitã da equipe, Angélica Malinverno, também atribui o rebaixamento a este fator. “Não conseguíamos fazer algumas inversões que os outros times faziam. Esse, às vezes, era o ponto-chave para que a partida virasse a favor do adversário. Isso sem contar as lesões, onde toda perda é muito grande para um grupo tão pequeno”, explica.

Além do elenco curto, outro problema já conhecido de quem está no Brasília Vôlei há tanto tempo como Inácio, desde 2014, é a falta de ritmo de jogo. “A gente fica muito afastado do cenário do vôlei. Os times de São Paulo e Rio de Janeiro já entram na Superliga com, no mínimo, 15 jogos. Vivemos apenas de alguns amistosos antes de começar”, lamenta. Para aumentar mais a dificuldade de se conquistar entrosamento, o time foi completamente remontado durante a intertemporada. Foram 11 jogadoras dispensadas e 10 contratadas.

Outro problema pouco comum que as brasilienses tiveram que enfrentar foi a saída do técnico Hairton Cabral por motivos de saúde no final de 2018. A equipe vinha em uma crescente com três vitórias em quatro jogos entre o final de novembro e início de dezembro, mas a descoberta da doença do técnico parece ter freado os resultados do time, que só venceu uma vez depois. “Eu e o resto da comissão técnica assumimos, tentamos fazer o nosso melhor, mas não foi a saída dele que nos fez perder também. A gente tem que reconhecer os nossos erros”, destaca Inácio.

Angélica também faz questão de ressaltar que a troca de comando não prejudicou a equipe. “Não credito o rebaixamento à mudança. Tivemos um salto de qualidade que, mesmo com as derrotas, as rivais elogiavam o nosso jogo”, diz.

Salários ainda não foram pagos

Rebaixamento, para um time que já não contava com grandes verbas, muitas vezes pode significar o fim do projeto. Ainda mais quando o próprio James Rocha, presidente do time, admite que o contrato de patrocínio em vigor contempla apenas a primeira divisão do vôlei brasileiro. “Tudo ainda será reavaliado, pois o acordo que temos é para a Superliga A. É um elenco caro e o dinheiro vai diminuir, mas não não quero deixar o time acabar. Vamos jogar a série B para voltarmos à elite”, afirma.

Antes de pensar na continuidade do time, no entanto, James Rocha precisa de se preocupar com o pagamento dos salários atrasados. Por enquanto, nem os vencimentos de janeiro e de fevereiro foram quitados. “Existe este atraso, mas foi um erro nosso na prestação de contas ao patrocinador. Não enviamos algumas documentações necessárias e isso trava o repasse do dinheiro”, explica. O presidente do clube diz que não haverá calote e assim que a documentação for regularizada, as jogadoras e comissão técnica irão receber o salário.

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