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A vida imita a arte nos tatames

Antes bancada pela mãe, Ketleyn já foi medalhista olímpica e foca no Mundial em agosto

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Foto: Rafal Burza/CBJ

Olavo David Neto
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No próximo dia 25, Ceilândia será representada nos tatames japoneses. A judoca Ketleyn Quadros, medalhista nos Jogos de Olímpicos de Pequim, em 2008, acerta os últimos detalhes para o Mundial de Tóquio, o sexto na carreira da atleta. A competição será disputada na capital japonesa entre 25 de agosto e 1º de setembro. Na fase final da preparação, Ketleyn conversou com o Jornal de Brasília em meio aos treinos na sede do SOGIPA, clube que defende desde 2017, em Porto Alegre.

A carreira começou ainda menina, aos 7 anos, quando o SESI Ceilândia abriu processo seletivo para crianças carentes. Ketleyn ganhou espaço no judô candango, mas o Distrito Federal ficou pequeno para o talento nos tatames.

“Em Brasília, a gente não tem um clube, um centro de treinamento. Minha mãe que tinha que pagar academia”, desabafa a judoca.

O sonho de seguir no esporte achava barreiras econômicas. Custos com nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos, essenciais para o alto rendimento, saíam integralmente do bolso de Rosimeri, ou dona Rosi, primeira patrocinadora da filha.

Disposta a continuar no esporte, Ketleyn e alguns treinadores buscaram um novo caminho para ela. Acharam um Belo Horizonte. O Minas Tênis Clube demonstrou interesse e, em 2006, apostou nela. “Foi quando eu decidi que realmente queria isso. Era a modalidade que eu tinha me apaixonado. Minha mãe falou que deixaria eu ir caso eu continuasse meus estudos”, relembra a atleta, à época com 17 anos. Era o empurrão que faltava. Na capital mineira, Ketleyn deu sequência à vida acadêmica às custas do clube, que garantiu bolsa de estudo numa faculdade de Educação Física.

Ascensão meteórica

Com apoio de um clube profissional, Ketleyn acumulava medalhas regionais e nacionais. Daí, partiu para os tatames estrangeiros. Em 2007, aos 19 anos, era a promessa da Confederação Brasileira de Judô, que já a preparava para a Olimpíada de Londres, em 2012. A ascensão meteórica, porém, permitiu que ela se inserisse no ciclo olímpico que já caminhava para o fim. A judoca se preparava para competições sub-21 e, por ser a líder do ranking de juniores, teve oportunidade de disputar a seletiva olímpica.

A poucos meses da abertura dos Jogos, realizada no então recém-inaugurado Ninho do Pássaro, na capital chinesa, a vaga era dela. “Eu garanti minha vaga nos 45’ do segundo tempo”, brinca a atleta. “Foi muito bom, porque o foco nos treinamentos fez com que eu tivesse pronta pras oportunidades”. Já em disputa olímpica, a jovem que muitos acreditavam estar ali para ganhar experiência avançava, mesmo contra lutadoras consagradas. Veio o bronze, medalha que abriu espaço para novas conquistas brasileiras em Jogos Olímpicos. Depois de Katleyn, Sarah Menezes foi campeã nos jogos de Londres, em 2012, e Rafael Silva levou o ouro em 2016, no Rio de Janeiro.

No ciclo olímpico da Rio 2016, Ketleyn disputava com a ainda desconhecida Rafaela Silva. Nascida na favela da Rocinha, a carioca tinha a seu favor o legado. Ambas competiam pela vaga na categoria até 57 kg, e, por pedido da confederação, a candanga subiu de peso em 2015.

Foco em conquistar vaga

Quatro anos depois de entrar numa categoria superior, ela se sente pronta. A disputa do Mundial de Tóquio traz também a esperança de um título inédito como profissional. Campeã dos mundiais Militar, Universitário e Júnior, Ketleyn finaliza a preparação para os tatames, que contará para o ranqueamento das vagas olímpicas. Estar na terra da próxima Olimpíada para disputar um espaço nos jogos, porém, não a ilude. “Não tem como pensar nela sem a vaga”.

Preparação

Para a fase final de preparação da equipe, o planejamento teve treinamentos na Europa e nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, que foram poucas semanas antes da competição no Japão.

“Neste ano, adotamos planejamentos diferentes para as seleções feminina e masculina, com um treino intenso para os homens no Japão no início do ano, enquanto as mulheres começaram a temporada já competindo em Paris, Oberwart e Dusseldorf. Além disso, investimos em um treinamento de campo internacional no Brasil com seleções europeias e sul-americanas”, explica Ney Wilson Pereira, gestor de Alto Rendimento da Confederação Brasileiro de Judô.


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