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Reputação, Compliance e Leis Anticorrupção

A Suécia e seus problemas de compliance

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O caso da Telia Company – empresa sueco-finlandesa de telecomunicações na qual o governo de Estocolmo tem participação de 37% – causou surpresa em um país pouco acostumado a envolvimentos em escândalos, como a Suécia. As suspeitas recaem sobre o pagamento de suborno a autoridades de países como o Uzbequistão, para obter licenças de operação. A empresa se retirou inteiramente dos mercados da Ásia Central.

Michaela Ahlberg, especialista em ética e compliance que trabalhou por quatro anos (2013/2017) na Telia Company como Chief Ethics and Compliance Officer, contou sua experiência no FCPA Blog. Desde que esta investigação foi deflagrada eu tinha curiosidade em ouvir a responsável pelo compliance da empresa, para tentar entender o caso. E o seu relato no blog foi esclarecedor.

Ela explicou que foi contratada para garantir que fossem feitas as mudanças pelas quais a Telia precisava passar, restaurando a confiança e implantando um programa anticorrupção, uma vez que eles estavam passando por uma grave crise de reputação, por conta de seus negócios no Uzbequistão.

“Criamos a função E&C (ética e compliance), apresentamos um canal de queixas e um escritório de investigações especiais, e realizamos investigações em toda a região comercial da Eurásia. Introduzimos um plano de ação corretiva, treinamos mais de 5 mil funcionários em workshops, iniciamos e lideramos vários projetos para terceirizados, incluindo uma nova equipe de due diligence. Contratos foram rescindidos e pagamentos feitos”, explicou Michaela. Mas ela completou dizendo que “no entanto, após dois anos de trabalho, me senti desencorajada, exausta e preocupada. O bom trabalho parecia causar desentendimentos internos, argumentações e conversas difíceis”.

A executiva percebeu que a implantação do compliance gerou dilemas que anteriormente eram evitados ou ignorados. Esta experiência é um alerta para o desenrolar dos processos de implantação dos programas de compliance.

A Suécia é um país com controles rígidos de compliance nas suas 49 estatais. Eles têm uma auditoria independente, o Riksrevisionen, que vai além da fiscalização, propondo ações de correção para melhoria das operações, porque são corresponsáveis pela eficiência das estatais. Ainda assim, eles não conseguiram evitar o Caso Telia. Mas não desistiram e estão mexendo em alguns processos internos. Essa é a ideia. Nunca deixar de aprimorar as ferramentas de compliance, mesmo em lugares, aparentemente, “imaculados”.

 

  • Você pode contatar a colunista pelo e-mail andreia@emporio.inf.br

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