Ana Paula Arósio até já se conforma. Embarcou nos anos 30 para fazer Esperança, retrocedeu à primeira década do século 20 para a italiana Terra Nostra e encarnou a magnífica personagem Hilda Furacão de volta aos dourados anos 50. A partir de terça-feira, às 21h55, na Globo, Arósio estaciona na década de 20 na minissérie Um Só Coração, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira, produzida em homenagem aos 450 anos de São Paulo. De tantos papéis em novelas e séries de época, a atriz conclui que às vezes acredita viver no passado. “Acho que tenho cara de época. Às vezes até me sinto menina de época”, brinca Ana Paula, de 28 anos. Na minissérie, Ana será a protagonista Yolanda Penteado, uma socialite paulistana real que vai ganhar toques de ficção ao se ver dividida entre o amor da juventude pelo anarquista Martim (Erik Marmo), o casamento forçado com o primo Fernão (Herson Capri) e o amor maduro pelo empresário Ciccilo Matarazzo (Edson Celulari). “Não temos semelhança física e o Manga (Carlos Manga, diretor de núcleo) pediu que não fosse cópia. Usamos a licença poética, baseada na personalidade dela”, diz a atriz. Mas a caracterização traz algum sofrimento. De cabelos encaracolados, Ana tem que se submeter constantemente a escovas para alisá-los. “Só fica liso com muita, muita chapinha mesmo. Mas agora meu cabelo está da cor natural, é preto. É que pinto muito…”, conta ela. Em alguns momentos, em cenas já gravadas, Ana não teve que interpretar. Como Yolanda, Ana é uma verdadeira amazona e cria cavalos em seu sítio em São Paulo. Um deles, Mágico, um manga-larga paulista, será usado pela atriz na minissérie. “Esqueci o personagem e fui egoísta. Minha dublê até estava lá, mas não trabalhou. Tenho que aproveitar as cenas de cavalgada”, empolga-se ela, que aparece até saltando obstáculos. Como suas outras personagens, Yolanda é mulher forte, “da pá virada”, que se envolve e patrocina modernistas. “Não sei se as personagem já vêm fortes ou se acabo dando um jeitinho de ficarem assim”, reivindica a atriz, que teve a aprovação da família Penteado. “A Ana tem o sorriso da minha tia”, compara Maria Antonieta, 80 anos, sobrinha de Yolanda, criada praticamente como filha da socialite, morta em 1983. Um Só Coração retrata a efervescência cultural de São Paulo, desde 1922, quando aconteceu a Semana de Arte Moderna, até 1954. Escaldada pelas dificuldades de produção de Esperança – em que fazia a judia Camili e até quebrou um dente de Reynaldo Gianecchini, o Toni, num acidente em cena –, Ana conta que se candidatou correndo para o papel da minissérie. Diferentemente das novelas, as produções de minisséries por serem obras com começo, meio e fim, enfrentam menos percalços. “Esperança foi difícil para todos nós. Pedi por favor para fazer Um Só Coração”, brinca a atriz. Ana Paula Arósio terá de emprestar sua pele lisa para uma maquiagem que personagem Yolanda começa a minissérie com 20 anos e termina aos 52. “Vai ser um envelhecimento sutil. Vou chegar aos 50 aos poucos. Não vai ser nada ríspido”, garante Ana.