Baixista dos mais conceituados na MPB, Adriano Giffoni mostra no seu quarto álbum solo os recursos melódicos, harmônicos e percussivos do seu instrumento, o baixo, num tom – vale ressaltar – genuinamente grave. O resultado alcançado pelo músico – que já fora escudeiro das bandas de Milton Nascimento, Djavan, Ivan Lins, Roberto Menescal e Gal Costa – em Baixo Brasil é belo, inusitado, mas pouco rebuscado para um instrumentista exaltado nos átrios do jazz.
Giffoni ousa uma formação que dispensa piano, marcações de bateria ou qualquer melodia de sopro, violão ou guitarra. São quatro baixos que constituem uma sonoridade diferente e formidável na sua proposta de expressar-se com os diversos ritmos da música brasileira.
No álbum, Giffoni é acompanhado por três jovens baixistas cariocas: Felipe Lydia (baixo elétrico e baixolão), Norton Daiello (baixo de quatro e cinco cordas) e Murilo Silva (baixolão e baixo de cinco cordas). “Todos são meus ex-alunos. Aprendo muito com eles também”, destaca o músico que dividiu com o norte-americano Jeff Andrews a disciplina de baixo elétrico no 26º Curso Internacional de Verão da Escola de Música, em janeiro.
No curso, Giffoni revelou seu virtuosismo em jam session com o saxofonista Sérgio Galvão, o violonista Nelson Faria e o baterista Kiko Freitas no palco da Sala Martins Penna. Na mesma ocasião, tirou alguns minutos para mostrar o repértório do álbum, no qual o músico carioca se destaca mais como compositor do que instrumentista e dispensa improvisações e escalas complexas. “Me distancio do jazz neste disco. Procurei somente mostrar as possibilidades do baixo como instrumento de harmonia, melodia e percussão na linguagem brasileira da música”, justifica.
Em Baixo Brasil (da sua própria gravadora, Perfil Musical), Giffoni percorre todas as regiões do País. Explora as serestas sertanejas sulistas em Toada, o batuque da Bahia em Suingue da Cor, o partido alto carioca em Bom Partido e o frevo pernambucano em Ladeiras de Olinda.
“Sou muito eclético”, afirma o músico. Sem preconceitos com estilos ou filosofias, Giffoni se diz um amante da boa música. “Minha pesquisa é muito geral. Hoje estou tocando até gospel”, adianta. O projeto de música religiosa do qual o baixista participa é um disco de MPB gospel da Banda Sá, Jesus Mania. “Para cada estilo que me apresentam componho um tema, não foi diferente na música gospel”, arremata o músico, que estréia a nova turnê do bossa novista Carlos Lyra em março, no Canecão.
Baixo Brasil – Quarto álbum solo de Adriano Giffoni (Perfil Musical). 10 faixas. Preço médio: R$ 18, à venda na loja Musimed (Conic).