Francisco era um lavrador do interior de Goiás que fez tudo que estava a seu alcance para transformar dois de seus filhos em uma dupla sertaneja. O fim dessa história é conhecido até mesmo pelos que torcem contra o estilo de Zezé Di Camargo e Luciano. O começo de tudo está no emocionante longa-metragem 2 Filhos de Francisco – A História de Zezé Di Camargo & Luciano, filmado pelo diretor Breno Silveira e que chega aos cinemas no próximo dia 19.
Orçado em R$ 6,5 milhões – serão gastos mais R$ 5 milhões só para divulgação – o filme mostra mais que a trajetória de sucesso: retrata a obstinação de um pai. “É uma história de brasileiros falando de dois heróis: meu pai e meu irmão Zezé. Se a trama fosse no passado, Zezé teria sido um grande herói de Homero, que sangra”, elogia Luciano. “Sou o único que tem capacidade de ter olhar diferenciado. Estou na história”, completa o cantor.
O filme recria a infância pobre de Zezé na fazenda, em Pirenópolis, a mudança da família para Goiânia e a luta de Francisco para tornar os filhos cantores. Fome, dificuldade e esperança: está tudo lá. “Não conhecia tanto a música sertaneja e vi o quanto a gente carrega de medo da nossa cultura. Temos barreiras. Nunca tive preconceito com o sertanejo e sempre achei É o Amor uma obra-prima”, conta Breno Silveira, que baseou o roteiro do longa em entrevistas com a família. “Existe uma certa licença poética, mas nas cenas mais críticas tentei ser o mais fiel possível”, conta o diretor.
A história vai até o sucesso da música É o Amor. Os verdadeiros Zezé e Luciano aparecem no fim, nos dias atuais. A família também é mostrada na casa onde tudo começou. “O filme tem um lado social importante, ao mostrar que o sonho do meu pai é possível. Eu também passei por essa situação do êxodo rural. Senti isso na própria carne”, diz Zezé Di Camargo, que até os 11 anos viveu no sítio. “As dificuldades foram na cidade. Meu pai recebia o salário na sexta (era servente de pedreiro) e numa quarta minha mãe falou que o dinheiro tinha acabado e não tinha o que comer”, lembra o astro. No elenco, os atores se destacam pela incrível semelhança física com os personagens reais. Márcio Kieling e Thiago Mendonça estão a cara de Zezé e Luciano, respectivamente.
FomeO ator mirim Dáblio Moreira rouba a cena como Zezé, ou melhor, Mirosmar, criança. “Fiz o teste no papel de Emival, pensando que ele era o Zezé. Nem sabia quem era Mirosmar. Acho que passei no teste por cantar, nunca tinha feito nada como ator”, diz Dáblio, descoberto em Goiânia.
Era Emival o irmão que formava dupla com Zezé. Quando a fome apertou, em Goiânia, os dois foram cantar na rodoviária atrás de uns trocados. Ali apareceu o primeiro empresário, um tanto picareta, que levou a dupla para passar quatro meses fora, para desespero de dona Helena, sua mãe. Mais tarde, Emival morre num acidente de carro. “Todos da família choram quando me vêem”, diz Marcos Henrique, que pegou o papel de Emival.
Ângelo Antônio ficou um tempo na fazenda com Seu Francisco antes de interpretá-lo no filme. “Disse a meu pai que ele era um repórter. Depois ele veio dizer que o Ângelo era bom, mas ‘especulava’ muito, ele queria saber de tudo”, conta Luciano.