Ela, uma jovem alegre de 20 anos que vive em aparente liberdade. Ele, uma rapaz cego, criado por uma mãe superprotetora, ávido por ser livre. Essa é a história de Vanessa e Thiago, personagens interpretados, respectivamente, por Taís Araújo e Caio Blat, na comédia romântica Liberdade para as Borboletas. Em cartaz de hoje a domingo, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional, a peça conta também com Débora Duarte e Pablo Falcão no elenco.
Escrita pelo norte-americano Leonard Gersche na década de 70 e traduzida e dirigida pelo ator Gracindo Júnior, a montagem foi adaptada à realidade do Rio de Janeiro dos dias atuais. A história se passa num sobrado no bairro da Lapa, ponto de encontro de jovens de diferentes tribos e ideologias.
“Vanessa teve uma criação super-livre e Thiago, não. Ela começa a se interessar pela vida dele e ele, pela dela”, conta Thaís Araújo ao Jornal de Brasília. Para a atriz, o espetáculo evidencia que não há diferença entre pessoas com deficiência visual e as que enxergam. “A peça não tem nenhum tipo de preconceito. Mostra que as pessoas cegas conseguem fazer tudo. Tanto que Vanessa só descobre que Thiago é cego depois de dez minutos de conversa”, adianta.
Liberdade para as Borboletas marca a volta de Taís Araújo aos palcos. “Fiquei muito tempo sem fazer teatro. A retomada é difícil porque a TV é um veículo minimalista, naturalista. O teatro, ao contrário, é algo maior, mais realista. É um outro modo de se comunicar”, confessa. Apesar da dificuldade, Taís revela estar satisfeita com sua atuação na peça: “Acho que estou conseguindo retomar bem”.
A atriz conta que a evolução na carreira também pode ser percebida fora dos palcos. Há nove anos, Taís interpretava sua primeira protagonista na novela Xica da Silva, da extinta TV Manchete e atualmente no ar pelo SBT. “Revi a novela há pouco tempo e percebi que melhorei em relação aos primeiros capítulos”, afirma. Para ela, parte do sucesso da novela se deve ao diretor Walter Avancini, falecido em setembro de 2001: “A novela é muito especial para mim porque tinha o dedo dele”.
Segundo a atriz, outro trabalho marcante foi o filme Garrincha, Estrela Solitária, no qual interpreta a cantora Elza Soares. “O filme serviu como absolvição de Elza, que foi julgada na época pela imprensa e a sociedade. Ao contrário do que todos pensavam, ela queria salvar o Garrincha do alcoolismo e dos cartolas do Botafogo, que o obrigavam a assinar contratos em branco”, afirma.
Serviço
Liberdade para as Borboletas – De Leonard Gersche. Adaptação de Gracindo Júnior. Com Taís Araújo e Caio Blat. Hoje e amanhã, às 21h; e domingo, às 20h, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 50 (inteira), à venda na bilheteria do teatro.