A TV Nacional é um honroso caso à parte no panorama das emissoras abertas no Brasil. Uma das afiliadas da TV Educativa, por sua vez pertencente à Rede Brasil, o canal continua mantendo o mérito de ser dos poucos não candidatos ao limbo dos descartados. E isso porque, por essência, do que trata a linha da TVE é justamente a cultura brasileira. Essa mesma, tão vasta e perdida no meio de produtos enlatados com tempero de pouca originalidade.
Um dos melhores exemplos dessa vocação nata da TVE pode ser visto até o início de janeiro: o programa especial sobre Portinari que a série Cartas ao Povo Brasileiro apresenta, durante a semana, às 22h30. Uma verdadeira aula sobre valores reais que o Brasil nem sempre reconhece, mas que o mundo aplaude.
Nem por isso a alma da TVE deve ser apontada como xenófoba: o convênio com a National Geographic, por exemplo, rendeu à emissora uma nutritiva faixa de documentários, estes sim, de âmbito universal, que mostram de tudo um pouco. É um leque vasto que tanto pode abordar domadores de cavalos selvagens quanto apresentar um documentário completo sobre o potencial do Rio Nilo, no Egito, não deixando escapar os mais importantes aspectos históricos que fazem daquela região uma das mais curiosas do planeta.
Tudo isso está na TV Nacional. Que, de quebra, também na programação infantil deixa as demais emissoras abertas situadas em plano muito aquém. A premiada série Rá-Tim-Bum é um bom exemplo de como se fazem programas educativos consistentes, sem apelação. Emissora número 1 devia ser esta.