Mar Adentro, filme do espanhol Alejandro Amenábar, favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, e que estréia hoje nos cinemas da cidade, não teria muito a acrescentar em dramaticidade se comparado ao argentino O Filho da Noiva ou ao canadense Invasões Bárbaras (ambos premiadíssimos), não fosse pela intensidade e complexidade do tema, a eutanásia, acrescido de um elenco de brilhantes atores, a começar pelo protagonista, Javier Bardem. Enfim, dos últimos concorrentes ao Oscar desde A Vida é Bela (1999), este é definitivamente o melhor.
Bardem vive o marinheiro Ramón Sampedro que, em 1968, ficou tetraplégico devido a um mergulho malcalculado numa parte rasa do oceano. A história, que se faz mais forte devido à sua veracidade, narra a luta de Sampedro para conseguir o direito da eutanásia. Durante 28 anos, ele escreve suas memórias melancólicas e briga na justiça para “morrer dignamente”. O êxito maior da fita está no tocante discurso poético sobre a desesperança e o amor.