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Sin City, uma aula de cinema

Arquivo Geral

29/07/2005 0h00

Ostoryboard de Sin City – A Cidade do Pecado estava pronto bem antes de Robert Rodriguez pensar em levar a produção para as telas. A dedução fica óbvia na apresentação do filme, que se aproxima da trama original graças ao apuro da co-direção do próprio criador do submundo fictício de Basin City, Frank Miller. Assistir ao filme, que a partir de hoje ocupa as telas dos cinemas da cidade, provoca a mesma inquietação e surpresa das páginas dos contos em quadrinhos (também chamados de graphic novels, para diferenciar dos produtos infanto-juvenis) escritos e desenhados por Miller no início dos anos 90.

O impacto visual da trama na telona se aproxima em grandeza e criatividade ao exercício sublime do nanquim branco em papel preto de Miller. Os diálogos objetivos, os ângulos e o preto-e-branco não raro em contraste com pequenas lascas de cores (como os olhos verdes de uma prostituta ou a figura deformada do Yellow Bastard, um mercenário de cor amarela), dão o tom mais fiel à obra idealizada por Rodriguez (conhecido por produções como Era Uma Vez no México e por dividir o set com Quentin Tarantino em Um Drink no Inferno e entre os episódios de Grande Hotel).

Neste Sin City, o cineasta conta com o reforço do mestre do cinema pop. Tarantino dirige uma hilária (entenda-se humor negro) seqüência na qual o cadáver do policial Jackie Boy (Benicio del Toro), degolado pela ninja Miho (da gangue das belas prostitutas assassinas da Cidade Velha), trava conversa com o garanhão Dwight (Clive Owen).

O maior crédito de Rodriguez foi ter conseguido convencer Frank Miller a dividir direção do filme. Desde a decepção com o resultado de Robocop, o quadrinista abandonara a carreira. A película segue à risca o perfil dos personagens desde o gênio perturbado de todos eles ao perfeccionismo da maquiagem, que deforma o rosto de Mickey Rourke para fazê-lo parecido com o insensível Marv; marca Bruce Willis com um X na testa, para aproximá-lo do rosto do incorruptível detetive Hartigan; e coloca um brilhante olho postiço de ouro em Michael Clarke Duncan, que o transforma no impiedoso leão-de-chácara Manute.

O relato da trama é igualmente violento e erótico como o da obra original. O roteiro compila os principais personagens de Basin City em momentos diferentes, que apresenta uma perfeita costura dos mais interessantes episódios dos gibis: A Grande Matança, A Noite da Vingança, O Assassino Amarelo e A Dama Fatal (deste, entra apenas o namoro de Marv com a prostituta Goldie, encerrado com o silencioso homicídio da garota).

À primeira impressão, Sin City é uma perfeita adaptação de sua obra original, com a irreverência de Rodriguez somada à sabedoria de Miller e ao bom preparo do elenco (orquestrado com participações de Rosario Dawson, Brittany Murphy, Elijah Wood e Jessica Alba). Levado mais a sério e respeitado em seus detalhes, o filme apresenta uma estética inovadora – não apenas pelo efeito de unir preto-e-branco com colorido (não é novidade), mas pelo manancial de novas idéias narrativas, cenografia, interpretação e movimento de câmera, que fazem de Sin City uma grande aula de cinema.

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    29/07/2005 0h00

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    O impacto visual da trama na telona se aproxima em grandeza e criatividade ao exercício sublime do nanquim branco em papel preto de Miller. Os diálogos objetivos, os ângulos e o preto-e-branco não raro em contraste com pequenas lascas de cores (como os olhos verdes de uma prostituta ou a figura deformada do Yellow Bastard, um mercenário de cor amarela), dão o tom mais fiel à obra idealizada por Rodriguez (conhecido por produções como Era Uma Vez no México e por dividir o set com Quentin Tarantino em Um Drink no Inferno e entre os episódios de Grande Hotel).

    Neste Sin City, o cineasta conta com o reforço do mestre do cinema pop. Tarantino dirige uma hilária (entenda-se humor negro) seqüência na qual o cadáver do policial Jackie Boy (Benicio del Toro), degolado pela ninja Miho (da gangue das belas prostitutas assassinas da Cidade Velha), trava conversa com o garanhão Dwight (Clive Owen).

    O maior crédito de Rodriguez foi ter conseguido convencer Frank Miller a dividir direção do filme. Desde a decepção com o resultado de Robocop, o quadrinista abandonara a carreira. A película segue à risca o perfil dos personagens desde o gênio perturbado de todos eles ao perfeccionismo da maquiagem, que deforma o rosto de Mickey Rourke para fazê-lo parecido com o insensível Marv; marca Bruce Willis com um X na testa, para aproximá-lo do rosto do incorruptível detetive Hartigan; e coloca um brilhante olho postiço de ouro em Michael Clarke Duncan, que o transforma no impiedoso leão-de-chácara Manute.

    O relato da trama é igualmente violento e erótico como o da obra original. O roteiro compila os principais personagens de Basin City em momentos diferentes, que apresenta uma perfeita costura dos mais interessantes episódios dos gibis: A Grande Matança, A Noite da Vingança, O Assassino Amarelo e A Dama Fatal (deste, entra apenas o namoro de Marv com a prostituta Goldie, encerrado com o silencioso homicídio da garota).

    À primeira impressão, Sin City é uma perfeita adaptação de sua obra original, com a irreverência de Rodriguez somada à sabedoria de Miller e ao bom preparo do elenco (orquestrado com participações de Rosario Dawson, Brittany Murphy, Elijah Wood e Jessica Alba). Levado mais a sério e respeitado em seus detalhes, o filme apresenta uma estética inovadora – não apenas pelo efeito de unir preto-e-branco com colorido (não é novidade), mas pelo manancial de novas idéias narrativas, cenografia, interpretação e movimento de câmera, que fazem de Sin City uma grande aula de cinema.

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