Hoje e amanhã, um congresso, no Rio de Janeiro, vai apresentar dados sobre a influência de produtos químicos e do estilo de vida na infertilidade de casais cariocas.
Fatores ambientais como poluição de rios e uso de agrotóxicos são algumas das causas do tema, que será destaque do 8º Simpósio Internacional da Clínica G&O Barra, no Rio de Janeiro, com apoio da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Fundação Oswaldo Cruz.
Durante o simpósio serão apresentados dados preliminares da pesquisa que investiga a influência de produtos químicos e do estilo de vida na infertilidade de casais cariocas. O estudo é realizado pela Clínica G&O, Fiocruz e UFRJ.
“Estamos verificando se a presença de metais pesados no Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 80% do município do Rio de Janeiro, pode afetar a fertilidade da população”, informa a coordenadora do Simpósio G&O e presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, Maria do Carmo Borges de Souza.
Também está sendo pesquisado se o consumo de álcool e de fumo interfere na fertilidade. Para realizar o estudo, foram entrevistados 100 casais inférteis cariocas, submetidos a questionário sobre atividades e hábitos dois anos antes de tentar engravidar.
As respostas serão comparadas com as de outras 100 mulheres que engravidaram espontaneamente e com a de 30 casais que adotaram a fertilização in vitro. Nesses casais, serão feitas análises para detectar a presença de metais pesados, como chumbo, cádmio e mercúrio, no sêmen, no fluido folicular e no sangue.
O trabalho inspirou-se na experiência de Anne Greenlee, pioneira ao estudar a interferência do meio ambiente na saúde reprodutiva. A toxicologista norte-americana e professora da Oregon Health Sciences University, pesquisa, por exemplo, os riscos de pesticidas agrícolas – usados também em jardins – para a saúde reprodutiva. No simpósio, ela vai mostrar resultados de ensaios feitos com ratos, que indicam que a exposição a pesticidas agrícolas pode aumentar o risco de infertilidade, mesmo se usados em doses baixas.
Os reflexos do meio ambiente na saúde reprodutiva têm sido preocupação de especialistas em reprodução humana, toxicologistas e sociólogos, levando ao surgimento de mais um ramo da ciência: a ecologia humana reprodutiva.