Se existe uma forma de colocar clichês a favor de um filme cujo o resultado seja igualmente relevante e divertido, o cineasta Sérgio Goldenberg encontrou. Pelo menos o fez na composição de seu longa-metragem de estréia em ficção: a comédia romântica Bendito Fruto, premiada no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro do ano passado e que, hoje, estréia no circuito comercial da cidade.
A primeira aposta certeira da produção carioca foi na escalação do competente elenco, encabeçado por Otávio Augusto, Zezeh Babosa e Vera Holtz. Goldenberg aproveita para costurar a trama principal com a aparição de personagens caricatos e, não raro, hilários, a exemplo de Camila Pitanga como a manicure funkeira Choquita, Lúcia Alves na pele da cabeleireira bisbilhoteira Telma e Eduardo Moscovis, no papel de um famoso astro de telenovelas que namora o filho da empregada doméstica Maria (Zezeh).
A história que faz emergir um triângulo amoroso entre os protagonistas Edgar (Otávio), Virgínia (Vera) e Maria começa num engarrafamento, quando uma tampa de bueiro explode, é lançada ao alto, cai em cima de um táxi, na cabeça de Virgínia, uma paulista interiorana em visita ao Rio de Janeiro.
Pode parecer inverossímel à primeira vista, mas Virgínia carregava consigo um único número de telefone, por acaso de seu antigo colega de escola Edgar, que mora no Rio. Ao ser contatado para visitá-la no hospital, Edgar oferece sua casa para ela se hospedar, após receber alta. Feito isso, o estreitamento da relação do barbeiro com Virgínia gera uma crise de ciúmes na empregada de Edgar, Maria – antes da turista abarcar, patrão e empregada viviam um romance sigiloso.
Como primeira experiência, o filme é suscetível a erros básicos – o exagero na exploração das subtramas é o exemplo mais latente. Contudo, Goldenberg soube tomar as rédeas da produção e evitar que a dosagem de açúcar no tratamento do triângulo amoroso entre Edgar, Virgínia e Maria escape do riso banal e, principalmente, do melodrama desnecessário.