Parece coisa de gente desocupada: agora é a vez de o Movimento do Machão Mineiro meter a colher no Big Brother Brasil 5, mostrando que o líder, Jean, incomoda. “Está havendo uma apologia ao homossexualismo”, arrulha o presidente da entidade, Luís Mário Ladeira, o Jacaré. “Chegamos a um ponto em que os homens têm vergonha de dizer que gostam de mulher. Daqui a pouco vai haver macho enrustido!”.
Tanto barulho só porque Jean, um gay assumido, mostra cada vez mais força no Big Brother 5 e é sério candidato a levar o prêmio de R$ 1 milhão. Se por um lado o baiano tem o apoio de entidades gays, por outro, os assim chamados machistas estão se organizando para deter a onda arco-íris. Mesmo com bom humor, não deixam de respingar uma animosidade que trafega na contramão da ética.
“Vamos escolher um outro candidato no Big Brother e apoiar”, continua Jacaré, que conclui: “Um gay não pode vencer”. Com certeza, não está sozinho nesse arroubo homofóbico. Que o diga o ator Jece Valadão, tido como emblema nacional da machice.
Valadão atenta que é equivocada a tática da torcida contrária a Jean pelo grupo dos meninos pitbrothers (Rogério e P.A, já que Giulliano foi eliminado e Alan, que fechava com eles, se reposicionou): “Aqueles caras lá dentro estão sendo burros. Tem que deixar o gay se destruir sozinho. Não adianta ser machão e não ser inteligente. Como o gay é mais esperto que todos eles, se continuar assim, vai vencer”. Rogério, aliás, já experimenta hoje o antídoto contra seu próprio veneno: indicado por Jean, enfrenta o paredão com Sammy. Tem bons atributos para cair fora.
Leonardo Carvalho, o machista lutador Gato, de Senhora do Destino, acha que seu personagem não ficaria nada satisfeito com a vitória de Jean. “É muita frescurinha demais, está tudo exageradamente rosa. Por isso que o mundo está assim. É mulher pegando mulher… A velha escola está indo para o brejo”. Mas destaca que isso é fala do personagem.
Ainda na torcida carioca, o engenheiro de produção Luiz Alberto Barbosa analisa a questão por outra ótica: “Quanto mais homens decidirem virar gays, mais vai sobrar mulher”. Nada como o bom humor.
O fato é que, aos olhos do público, a homossexualidade não parece, nem de longe, um traço que arranhe o perfil do baiano Jean. O candidato, ainda que não ganhe o jogo, está ajudando a atualizar a discussão sobre o direito às orientações sexuais de cada um. Quem assiste ao programa já percebeu que o estado de ser gay não é doença. Já o caráter duvidoso da ala que faz troça de Jean…