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Olhar sensível sobre a ocupação do Iraque

Arquivo Geral

26/07/2005 0h00

Um pianista iraquiano que sonha viver nos Estados Unidos, mas teme deixar os filhos no Iraque pós-Saddam Hussein, é o protagonista do filme O Liberace de Bagdá, do cineasta inglês Sean McAllister, em exibição no FIC Brasília no próximo sábado. A idéia inicial do diretor era retratar o Iraque após a ocupação de tropas americanas mas, ao conhecer o pianista Samir Peter, decidiu acompanhar seu dia-a-dia, marcado pela insegurança de bombas, medo de perder os filhos e de não rever parte da família radicada nos EUA.

A decisão de McAllister foi acertada. A trajetória de Samir e o convívio de oito meses entre ele e o diretor aproximam o espectador do que há de desumano no chamado “homem”. Apesar da capacidade de adaptação dos seres humanos, revelada pela tentativa de Samir de ter uma vida comum, tocando piano e contando piadas, o sangue de civis conterrâneos mortos por soldados americanos e terroristas do próprio país tiram a esperança do pianista.

A tristeza e o medo também contagiam McAllister. “Todos os momentos foram muito difíceis. Sei que coloquei a família de Samir em risco, mas o fato de eu correr perigo me aproximou dela”, admitiu o diretor ao Jornal de Brasília. Mc Allister referia-se ao perigo de iraquianos serem vistos em companhia de estrangeiros. Durante os oito meses de filmagem, mais de cem foram seqüestrados.

O momento mais tenso de Liberace de Bagdá é quando Samir e Mc Allister se perdem a caminho do hotel em que estavam hospedados. “Percebi que tinha de voltar para a Inglaterra quando chegamos em casa”, lembra.

Em algumas cenas, o espectador tem a impressão de que Sean tenta inocentar os norte-americanos, com frases do tipo: “Agora vocês têm liberdade de expressão”. Mas o diretor garante que a imparcialidade era proposital: “Queria provocar os entrevistados para saber o que eles realmente tinham a dizer”.

McAllister conta que o pianista ainda não conseguiu se mudar para os Estados Unidos, como sonhava, almejando a fama. Samir participou de alguns festivais com o cineasta e conseguiu alcançar, em parte, seu desejo. Mesmo por vias tortas.

serviço

FIC Brasília – Até o dia 31 de julho, com sessões a partir das 14h, nos cinemas da Academia de Tênis (Setor de Clubes Sul, Trecho 4) e Cultura Inglesa (709 Sul). Ingressos a R$ 14 (inteira).

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    26/07/2005 0h00

    Um pianista iraquiano que sonha viver nos Estados Unidos, mas teme deixar os filhos no Iraque pós-Saddam Hussein, é o protagonista do filme O Liberace de Bagdá, do cineasta inglês Sean McAllister, em exibição no FIC Brasília no próximo sábado. A idéia inicial do diretor era retratar o Iraque após a ocupação de tropas americanas mas, ao conhecer o pianista Samir Peter, decidiu acompanhar seu dia-a-dia, marcado pela insegurança de bombas, medo de perder os filhos e de não rever parte da família radicada nos EUA.

    A decisão de McAllister foi acertada. A trajetória de Samir e o convívio de oito meses entre ele e o diretor aproximam o espectador do que há de desumano no chamado “homem”. Apesar da capacidade de adaptação dos seres humanos, revelada pela tentativa de Samir de ter uma vida comum, tocando piano e contando piadas, o sangue de civis conterrâneos mortos por soldados americanos e terroristas do próprio país tiram a esperança do pianista.

    A tristeza e o medo também contagiam McAllister. “Todos os momentos foram muito difíceis. Sei que coloquei a família de Samir em risco, mas o fato de eu correr perigo me aproximou dela”, admitiu o diretor ao Jornal de Brasília. Mc Allister referia-se ao perigo de iraquianos serem vistos em companhia de estrangeiros. Durante os oito meses de filmagem, mais de cem foram seqüestrados.

    O momento mais tenso de Liberace de Bagdá é quando Samir e Mc Allister se perdem a caminho do hotel em que estavam hospedados. “Percebi que tinha de voltar para a Inglaterra quando chegamos em casa”, lembra.

    Em algumas cenas, o espectador tem a impressão de que Sean tenta inocentar os norte-americanos, com frases do tipo: “Agora vocês têm liberdade de expressão”. Mas o diretor garante que a imparcialidade era proposital: “Queria provocar os entrevistados para saber o que eles realmente tinham a dizer”.

    McAllister conta que o pianista ainda não conseguiu se mudar para os Estados Unidos, como sonhava, almejando a fama. Samir participou de alguns festivais com o cineasta e conseguiu alcançar, em parte, seu desejo. Mesmo por vias tortas.

    serviço

    FIC Brasília – Até o dia 31 de julho, com sessões a partir das 14h, nos cinemas da Academia de Tênis (Setor de Clubes Sul, Trecho 4) e Cultura Inglesa (709 Sul). Ingressos a R$ 14 (inteira).

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