Um filme determinado pela edição das imagens e pela culpa. Assim é o novo longa do mexicano Alejandro González-Iñárritu (que também assinou a direção do aclamado Amores Brutos). O espectador é pego de surpresa, logo no início, com um emaranhado de cenas, a princípio desconexas. É preciso ficar atento, pois elas são jogadas em um ventilador, sem compromisso com a ordem dos acontecimentos. O filme é contado sob o ponto de vista de Paul Rivers (Sean Penn), um homem que está na fila para um transplante de coração. E é por causa desse novo coração que sua vida se cruza com as de Jack Jordan (Benicio Del Toro) e Cristina Peck (Naomi Watts). Ela tem tendências autodestrutivas, acaba de perder o marido e as filhas em um acidente e Jack é um ex-presidiário que encontrou em Jesus as respostas para sua vida. “Todos dizem que perdemos 21 gramas no exato momento da nossa morte. O peso de cinco moedas de 5 centavos. O peso de uma barra de chocolate. O peso de um beija-flor”. É com esse mote, 21 gramas, que Sean Penn convence o espectador de que há uma razão para a vida, além daquela que nos ensina simplesmente a existir.