Sexo sem tabu. Este pode ser o desejo de muitas pessoas, mas na nossa sociedade cristã-ocidentalizada, a prática de reprodução mais antiga da história da humanidade, o sexo, está longe de ser debatido abertamente em todos os ambientes do convívio social. No monólogo A Casa dos Budas Ditosos, com direção de Domingos de Oliveira, baseado em texto de Ubaldo Ribeiro, em cartaz neste final de semana no Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o sexo sem tabu é encenado, ao vivo. Ao menos, nas lembranças da protagonista vivida por Fernanda Torres. Apesar do peso da exposição, a atriz faz o público esquecer que está falando de sexo, que está recordando as mais excêntricas e íntimas relações vividas, ora por ela, ora por personagens que passaram por sua vida de septuagenária baiana. Destaque para a amiga, Norma Lúcia, colega da protagonista na adolescência, que participa das mais hilárias cenas narradas na peça. O cenário simplista e o fato de a atriz ficar o tempo todo sentada, se restringindo a cruzar incessantemente as pernas, não desvalorizam a montagem, pelo contrário. Isso faz com que o alvo da atenção seja totalmente voltado à protagonista e suas histórias. Impossível sair da peça sem sentir nada, nenhum desejo.