Uma estimativa de público que deve superar a exposição de Rembrand – 33.800 visitantes, cerca de cem pessoas envolvidas na produção (entre técnicos, produtores e iluminadores) e 14 monitores treinados para as visitas pelo Programa Educativo. Com esses números e com ares de megaexposição que é, foi aberta na última terça-feira, nas duas galerias do CCBB, Arte da África.
A mostra começou a ser pensada em meados de 2002 e foi executada especialmente para o Brasil. Já esteve no Rio de Janeiro, atraindo um público de mais de 700 mil pessoas e de Brasília segue para São Paulo. O lado artístico da montagem foi ressaltado, ou seja, o público entra e caminha no escuro, iluminado apenas pelas vitrines brancas onde estão as peças. Destaque para a sala das máscaras, onde são exibidos filmes feitos em diferentes tribos.
O que o curador e diretor do Museu Etnológico de Berlim (local de onde vêm todas as peças expostas), Peter-Klaus Schuster ressaltou durante visita guiada foi a alta qualidade da arte africana e sua importante contribuição à arte mundial. “As peças são geralmente ligadas à religião e às coisas mágicas, mas na verdade, devem ser vistas, antes de tudo, como arte”.
O curador explica que estão expostas peças de muitos países do grande continente africano e, dependendo de cada tribo, de cada região, os objetos são confeccionados para diferentes fins e com diversas funções. Inspiração para a arte expressionista e moderna, a arte africana deve ser vista em sua singularidade, e não apenas como algo exótico, distante e mágico, para ser exportada para a Europa. É, antes de tudo, uma arte utilitária e coesa.