A 26ª temporada do Curso Internacional de Verão da Escola de Música de Brasília chega ao seu clímax neste fim de semana. Em três noites, o público poderá conferir 12 apresentações. As maiores estrelas serão, portanto, os mestres internacionais da música erudita.
Amanhã, às 19h30, o violoncelista búlgaro Anatoli Krastev interpreta, entre outras, a Sonata 27 nº 2 (Ao Luar), de Beethoven, na Escola de Música. Acompanham os solos do virtuose e pesquisador de música sua conterrânea Evguenia Popova (violino) e o pianista russo Sergei Dukachev. O último se fez conhecido na Europa como um dos maiores intérpretes do compositor Rachmaniov – considerado o maior pianista russo de todos os tempos.
No domingo, o sotaque da música será diferente. O percussionista e violonista Gaudêncio Thiago de Mello mostra os sons retirados literalmente da natureza. Professor de percussão orgânica, o músico constrói seus próprios instrumentos a partir de bambu e sementes (pau-de-chuva), pedaços de madeira (boca-do-mundo) e até língua de peixe pirarucu (do qual se pode fazer soar um reco-reco).
No seu concerto Bem Brasileiro com Alguns Sotaques, Thiago de Mello toca seus inusitados instrumentos acompanhado pelo pianista oficial de sua banda Amazônia, Cliff Korman, o violonista Nelson Faria, o guitarrista Lula Galvão e os baixistas Jeff Andrews (elétrico) e Toni Botelho (acústico).
Apesar do que possa parecer, o instrumentista promete um recital de música popular refinada. “Sou um músico erudito, seja no jazz, no samba ou no baião”, frisa. “Minhas composições têm uma aproximação muito grande entre o erudito e o popular”, define. Para o percussionista, o que caracteriza a música não é seu estilo. “Independente do instrumento ou do jeito de tocar, música é uma filosofia. Não se faz o que pelo menos eu entendo de música se não houver criatividade aliada ao conhecimento”.