Faz algum tempo que os lobisomens estão distantes do estrelato. A aparição mais recente foi nos filmes Van Helsing, Anjos da Noite e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, embora em nenhum deles assuma a personalidade clássica do monstro peludo de caninos longos e afiados. O cineasta e mestre do terror teen Wes Craven – célebre por dar luz ao psicopata deformado Freddy Krueger, em A Hora do Pesadelo (1984) –, então, traz de volta o lobisomem à sua adorada Hollywood e tenta domar a fábula do lobisomem em seu novo thriller, Amaldiçoados, que estréia hoje nos cinemas.
Aqui, a fórmula já batida em suas produções anteriores (especialmente a trilogia Pânico, 1996, 97 e 2000) não erra quando o assunto é arrastar público adolescente às salas de projeção e ter retorno de bilheteria garantido para o final do mês. A trama não foge muito ao trivial. Os personagens idem: mulheres encorpadas andam sozinhas num local ermo prontas para o iminente ataque do vilão e ninguém acredita no garoto tímido que fala a verdade e é confrontado pelos populares do colégio.
Amaldiçoados tem como pedra fundamental a tal maldição que acompanha as pessoas uma vez infectadas pelas garras da criatura da lua cheia. Somente com a morte do lobisomem original, o “encanto” é desfeito, mas lembre-se de que ele é também humano. O mote é o mesmo que rege produções anteriores, como Lobisomem Americano em Londres (198 1), Lobisomem Americano em Paris (1987), ou mesmo o obscuro O Lobisomem de Washington (1973).
O cenário da vez é a própria Hollywood (onde, na famosa estrada de Mulholland Drive, ocorre a clássica seqüência do atropelamento de uma estranha criatura). Os irmãos Jimmy (Jesse Eisenberg) e Ellie (Christina Ricci, num momento quase vexatório, após interpretar os densos personagens de Monster e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) são os primeiros a testemunhar o ataque do lobisomem em Los Angeles. Contaminados, eles buscam quebrar a maldição. O mistério está em saber quem, dentre tantos, é o monstro original.