O rock foi tomado de assalto por jovens trovadores. Na trilha aberta por Beck e Jeff Buckley, na primeira metade dos anos 90, vêm caminhando Ryan Adams, Rufus Wainwright e Damon Gough (conhecido como Badly Drawn Boy). Elliott Smith, o nome mais forte da categoria, cometeu suicídio em outubro do ano passado. Mas, enquanto uma estrela se põe, outra cometa começa a brilhar no horizonte. Pois, em From Every Sphere, o cantor e multiinstrumentista inglês Ed Harcourt parece ter despontado como o melhor seguidor de Smith. Harcourt não é iniciante – já está em seu terceiro disco.
From Every Sphere é coeso e mostra ambição alcançada: o cantor sabe exatamente onde quer chegar e como fazê-lo. Percebe-se, claramente, que o cara é perfeccionista e tem uma queda pelas composições de Brian Wilson, dos Beach Boys. E isso fica fácil de perceber em Fireflies Take Flight e The
Birds Will Sing for Us. Não fosse a simplicidade, Sister Reneé poderia estar em qualquer dos álbuns da banda californiana eels, liderada pelo mais estranho dos jovens bardos: E.
“A reação é criar minha própria cena; não me encaixo em nenhum outro lugar. Apenas quero explorar com minha forma de compor, quero constantemente surpreender as pessoas e evitar ser categorizado”, afirma Harcourt em suas entrevistas. Mas já era. As faixas All of Your Days Will be Blessed, Bittersweetheart e Watching the Sun Come Up são simples e brilhantes, como as músicas pop devem ser, e se encaixam no rótulo de “música para se ouvir sempre”, como fundo de amores perdidos, almas entrelaçadas e sonhos diurnos.
From Every Sphere – Terceiro disco do cantor inglês Ed Harcourt (EMI). 12 faixas. 62 minutos. Preço médio: R$ 25.