Os anos 70 foram marcados pelo início arrogante e soberbo do rock. De nariz empinado, ficou prepotente e cheio de frescuras. Trocou letras cotidianas que falavam sobre garotas, carros, confusões e inquietações adolescentes por pomposas suítes de 20 minutos sobre duendes, fadas, castelos medievais e cavalos alados. O estilo deu lugar ao glamour. Eram tempos de luxúria, de riqueza, de shows em estádios de futebol, de jatinhos particulares, de fartura, bem retratados no filme Quase Famosos. Tempos em que as letras eram vazias e os fãs não eram vistos com a devida importância, mas sim como um complemento da carreira.
Mediante a esta situação veio a revolução punk. Primeiro em Nova York, depois em Londres e no resto do mundo, com objetivo de colocar o rock no seu devido lugar. Esse lugar era a rua, de onde vinham bandas como os Ramones, Sex Pistols, Clash, Dead Kennedys, entre outros. O principal lema dos punks era ser original. Que com suas roupas, cortes de cabelo e, acima de tudo, sua atitude, mudaram o mundo.
Tomando como data-base o show que os Sex Pistols fizeram em Londres, em 1975, a explosão punk está fazendo 30 anos. E, para ser comemorada em grande estilo, pede uma retrospectiva à altura de sua ousadia e irreverência. Com o objetivo de reviver o espírito do início do movimento punk em Londres e refletir a repercussão dessas três décadas na cultura no Brasil e no mundo, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) realiza, de 12 a 20 de julho, a Mostra Punk 30 anos. Idealizada pelo jornalista André Fischer, a mostra, que também realizada nos CCBBs de São Paulo e do Rio de Janeiro, promove debate e exibe 12 documentários e filmes de ficção, e cinco gravações raras de shows em formatos que variam entre película, DVD e VHS.
De acordo com André Fischer, o evento é uma reflexão do movimento que há 30 anos surgiu na Inglaterra e perdura até hoje. “Os debates e os filmes mostram o glorioso início do movimento, já as apresentações das bandas permitem uma discussão sobre a atual repercussão da Revolução Punk”. O resultado do evento, que já passou pelo Rio de Janeiro e segue para São Paulo, tem sido surpreendente, segundo Fischer. “Os debates estão tomando um rumo totalmente diferente do esperado. O público, dominado por uma moçada bem mais nova, aborda o percurso que o movimento tem traçado, e os caminhos futuros que ainda percorrerá”, afirma.
Na programação, pérolas ligadas ao movimento punk e também influenciadas por ele. Entre elas, o cultuado Rude Boy, sobre um adolescente desempregado na Inglaterra de Tatcher que vira roadie do The Clash. No melhor estilo cinema-verdade, o filme traz