Problemas respiratórios e doenças graves, como o câncer de pulmão e a DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica –, são cada vez mais comuns no sexo feminino. Assim, os índices de mortalidade deixam de ser predominantes entre os homens. Pesquisas chamam a atenção para as mulheres e atribuem a mudança ao aumento do consumo do fumo.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente existem 1,2 bilhão de fumantes ao redor do mundo. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de fumo, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos.
Dentre as muitas doenças relacionadas ao tabaco, como tumores na laringe, esôfago, pâncreas, bexiga, entre outros, o câncer de pulmão é um dos mais malignos e mais freqüentes no homem. No entanto, levantamentos recentes apontam que o problema é cada vez mais comum entre as mulheres, devido ao aumento significativo de fumantes do sexo feminino.
“Sabe-se que cerca de 90% dos portadores do câncer de pulmão são fumantes. Um aspecto preocupante da constatação é que aumentou em 30% a incidência deste tipo de tumor na mulher nos últimos 15 anos, porém, permanece estável ou em ligeiro declínio entre os homens. Ou seja, isso comprova as conseqüências malignas que o cigarro tem causado à mulher”, ressalta o pneumologista da Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte, Renato Maciel.
Ele conta que avaliando a prevalência do tabagismo na população adulta dos países em desenvolvimento, de acordo com pesquisa da OMS em 1999, 42% dos homens e 12% das mulheres fumavam. Já uma pesquisa realizada pelo Cebrid/Unifesp no Estado de São Paulo no mesmo ano investigou adultos acima de 35 anos e demonstrou que eram fumantes 31% dos homens e 21% das mulheres. Ou seja, o número de fumantes homens está em ligeira queda, com aumento entre as mulheres na maioria dos países do mundo, inclusive o Brasil.