Na década de 1960, a escritora feminista Barbara Novak (Renée Zellweger) alcança a fama com o best-seller Abaixo o Amor, livro em que aconselha as mulheres a viverem apenas relações casuais, com foco na própria independência e no sucesso profissional.
Tudo vai bem até que o sedutor jornalista Catcher Block (Ewan McGregor) decide se envolver com Barbara para mostrar que as teorias dela não funcionam.
Dirigido por Peyton Reed (Teenagers – As Apimentadas), esse filme é uma homenagem às comédias românticas que a dupla Doris Day e Rock Hudson estrelavam nos anos 60, mas pouco mantém a contestação feminista. O filme de Peyton Reed , “passa a perna” em todo mundo. De feminista só mesmo a aparência.
Ambientada nos anos sessenta, com as cores vibrantes do Technicolor da década, a história revela uma personagem impulsionada pelo lançamento do livro Down With Love, um “manual” para as mulheres modernas. O livro, um sucesso absoluto, muda a rotina de vários casais, ao tentar doutrinar as mulheres a fazerem, entre outras coisas, sexo sem amor, seguindo uma mentalidade tipicamente masculina.
É nesse argumento que se baseiam as cenas mais cômicas do filme, a durona Bárbara Novak não passa de uma apaixonada inveterada, longe de ser símbolo do feminismo. É totalmente impulsionada pelo amor, que tenta driblar o tempo todo. O alvo da paixão de Novak é o jornalista Catcher Block (Ewan McGregor). Mulherengo e sedutor, o personagem duvida que alguma mulher consiga resistir a ele. E elas não conseguem mesmo.
McGregor, assim como Zellweger, abusa do gestual, dando a impressão que dança, ao invés de andar. O glamour e o brilho explorado pelo filme, que lembra musicais em algumas seqüências, reverencia as comédias à moda antiga, como Confidências à Meia-Noite e Não me Mandem Flores.
O feitiço vira contra o feiticeiro em Abaixo o Amor. O que era para ser um plano bem elaborado por uma feminista radical vira, na verdade, uma cilada romântica, a velha busca pelo eterno amor.