No lugar de tecidos tecnológicos, esvoaçantes e coloridos, papel, muito papel cobrindo os corpos das modelos na passarela. Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina, o São Paulo Fashion Week, o estilista Jum Nakao realizou uma performance marcante em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradas roupas confeccionadas em papel vegetal, diante de uma platéia de 1.200 pessoas. O trabalho que consumiu mais de 700 horas, 500 quilos de papel e envolveu 150 profissionais é o fio condutor da obra que a Editora Senac São Paulo e Editora Senac Nacional lançaram no final de janeiro.
O livro A Costura do Invisível (Senac Editora, de Jum Nakao, 202 páginas, R$ 150) traz todas as etapas da produção deste trabalho que foram documentadas em fotos e vídeos, desde as primeiras reuniões, o dia-a-dia nos ateliês, o desfile, a reação da platéia, até a transposição do conceito para uma instalação na Galeria Vermelho, em São Paulo.
Editado e transformado em livro e DVD, esse material se mostra agora como referência dos mecanismos que alimentam o mundo da moda e das artes. No disco que acompanha a edição há o making-of do trabalho, costurado com depoimentos do estilista.
bastidoresOu seja, o espectador acompanha, passo a passo, a trajetória de produção do desfile, o dia-a-dia nos ateliês, a confecção das roupas, as conversas nos bastidores, os preparativos nos camarins, os detalhes do desfile e das “roupas”, além de uma das partes mais interessantes: a reação do público que assistiu, atônito, à desconstrução do trabalho delicado e elaborado de confecção das roupas de papel que consumiu mais de 700 horas de trabalho.
“O livro e o DVD são dois formatos que nos lançam ao vôo necessário para perceber o invisível que se estabelece entre as imagens e os textos. Esse percurso evidencia que o rasgo das roupas não foi o fim de um processo, mas a abertura necessária para a criação de novos sentidos e o estímulo à reflexão”, observa o estilista e criador.
históricoO brasileiro Jum Nakao é diretor de criação e mora em São Paulo, onde mantem seu ateliê. Inicialmente, ele acreditou que o suporte para seu trabalho poderia ser a eletrônica. Mas foi na moda que ele percebeu a possibilidade de uma aproximação da tecnologia e o olhar humano. Teve formação em Artes Plásticas e moda. Uma das últimas realizações de Nakao foi a participação na minissérie global Hoje é Dia de Maria, da TV Globo, na qual assinou a concepção e criação de uma corte real.