“Em todos os discos de Zeca, sem exceção, há músicas de Monarco e Ratinho. Não necessariamente juntos, quase sempre sim. Até 1998, na voz de Zeca só tinham emplacado um sucesso no distante primeiro disco. A constância gerava ciúme em gente que queria uma vaga naquela sombra. Surgiram comentários do tipo: “Eles estão até hoje vivendo de Coração em Desalinho”. Mas Papai do Céu ajuda a quem é leal e fiel. Naquele ano, eles forneceriam a Zeca um dos maiores sucessos de sua vida. E o pior é que já tinham fornecido muito tempo atrás. Ratinho fez a primeira parte de Vai Vadiar nos anos 80 e deu para Zeca e Arlindo Cruz fazerem a segunda. Não rolou. Muito tempo depois, Monarco fez uma segunda. Zeca gostou, mas a gravação… não rolou. O samba, desesperançado, já agonizava, mas não morreu. Ratinho acabou fazendo mais uma segunda parte e o quebra-cabeças foi mostrado a Zeca e Rildo nos preparativos para o disco Zeca Pagodinho. – Pô, Zeca, esse samba é muito bom – disse o produtor. – Ih, tô com essa música há tanto tempo… Tá bom, vou gravar. Vai Vadiar estourou logo no lançamento do CD e virou o título informal do “álbum branco”. Eu quis te dar um grande amor/Mas você não se acostumou/À vida de um lar/O que você quer é vadiar/Vai vadiar, vai vadiar/Vai vadiar, vai vadiar…A lealdade de Zeca a Monarco vem dos tempos do ônibus 261, da amizade com Mauro Diniz, da admiração pela Velha Guarda da Portela – presença também indispensável nos seus discos e sempre reverenciada por ele.