O grupo brasiliense de dança Therpsy Trupe ganhou, no último dia 10, a medalha de prata no concurso New York City Dance Alliance National Season Finale, realizado no hotel Waldorf Astoria, em Nova York. A coreógrafa e professora de balé Mônica Maia e uma das cinco bailarinas, Ana Elisa Brandt, retornaram a Brasília na última quarta-feira. As outras quatro integrantes do grupo continuaram em Nova York para participar de Workshops.
O Therpsy Trupe existe há um ano e meio e é composto por 20 bailarinas, entre 16 e 24 anos de idade. As meninas já ganharam vários prêmios no Brasil, mas esse foi o primeiro alcançado fora do País. Por falta de patrocínio, apenas cinco bailarinas, que puderam arcar com as despesas, participaram do concurso. “Infelizmente, a nossa cultura não reconheceu ainda o valor desse trabalho. Os novaiorquinos deram muito mais crédito a nossa apresentação do que os brasileiros”, afirma Mônica Maia.
O grupo participou da categoria open na modalidade especiality group, concorrendo com cerca de 25 outros grupos. Mônica já havia participado de workshops, realizados no âmbito do mesmo concurso, e conhecia bem o critério de seleção do júri, que é composto por bailarinos conceituados nos Estados Unidos e ainda por diretores de musicais. “Os grupos que participam têm um nível técnico bem elevado. Os jurados são rigorosos, estão acostumados com apresentações para shows, como o da Britney Spears, clips e grandes produções da Brodway”, informa Mônica.
O grupo brasiliense chamou a atenção com o seu estilo. A música, do grupo Barbatuques, de percussão corporal; os cabelos, presos com fitas; e as roupas, sem o luxo apresentado por outros grupos, fizeram sucesso em Nova York. “Eles estão acostumados com muita pompa, muito brilho, o nosso estilo foi bem diferente do esperado”, explica a coreógrafa.
Na platéia do teatro, vários “olheiros” de companhias de dança que apresentam musicais na Brodway ficaram entusiasmados com a apresentação do grupo de Brasília, tendo inclusive oferecido a oportunidade de realizar audição para futura contratação. “Ir para fora do País para participar de musicais separadamente não é o foco do grupo. As meninas pretendem continuar unidas, buscando a consagração do estilo diferente que adotam. Mas é uma oportunidade muito boa, não sei se futuramente alguma delas vai querer participar. Cada uma escolhe seu caminho”, acredita a coreógrafa.
Com a coreogafia Made in Brazil, feita pela coreógrafa Cristiana Matos, o grupo conseguiu paralisar a platéia e arrancar vários aplausos. “Os jurados elogiavam as roupas, a coreografia e o nosso estilo local. Foi muito emocionante ouvir os aplausos da platéia”, recorda a bailarina Ana Elisa. Na categoria em que o Therpsy Trupe concorreu, não houve medalha de ouro, em função de nenhum grupo ter alcançado a pontuação necessária.
Segundo Mônica Maia, o concurso é conhecido pela seriedade adotada nas avaliações. “No Brasil, tem muita indicação, relação de parentesco e de amizade na hora de avaliar um grupo. Mas, em Nova York, nós não tivemos nenhum problema quanto a isso. Não houve reclamação”, assegura.
As bailarinas ensaiaram durante quatro meses para apresentar a coreografia. As integrantes do grupo treinam, em média, 22 horas por semana. A busca, atualmente, tem sido por patrocínio, para que as bailarinas consigam mais tempo para os ensaios.
Ana Elisa, de 17 anos, se esforça muito para conciliar escola e treino. Ela está no terceiro ano do Ensino Médio. “Quando participamos de competições, temos de matar aulas, por isso é complicado. Mas eu tento dosar as duas coisas”, afirma. A estudante começou a fazer balé ainda pequena. Mas as competições começaram há quatro anos. “Já ganhei 19 prêmios nas competições em grupo e 5 nas competições solo”, conta.
No ano passado, Ana Elisa foi para Nova York com Mônica e participou de aulas abertas de dança. “Foi uma experiência ótima, eu tive a oportunidade de aprender muitas técnicas. Aprimorei meus conhecimentos”.