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Contos brasilienses

Arquivo Geral

18/02/2004 0h00

A boa e velha crise que persegue o escritor (qualquer um) na hora de criar um texto serve como cartão de visitas ideal para a Antologia do Conto Brasiliense, calhamaço de exatas 415 páginas que reúne boa parte dos contistas (candangos ou não) radicados na capital do País.

Os escritos, compilados pelo também escritor Ronaldo Cagiano, celebram o ato de se fazer literatura no Planalto. Não importando se, para isso, os autores sejam brasilienses da gema. Aliás, nenhum deles o é. A antologia tampouco dá vez às caras novas que teimam em criar contos, crônicas e poesias. Antes disso, prefere resgatar veteranos que vivem, viveram ou simplesmente criaram algo de relevante (ou não) durante sua – dele – passagem pela cidade. Por mais breve que ela, a tal passagem por aqui, tenha sido.

E eis que, graças ao critério (ou à sorte) da “ordem alfabética” cabe ao manaura Adrino Aragão “abrir os trabalhos”. De mãos dadas com a concisão, ele tece uma teia desconexa sobre a arte de escrever. Como pano de fundo, uma tragédia familiar que acaba servindo como inspiração para o escritor, um pobre coitado que é cobrado o tempo inteiro pela editora – calma, iniciantes, este paredón é típico de quem vive esse tipo de drama.

O tema, tão natural para aqueles que teimam em fazer da escrita um meio de vida, acaba perspassando a quilométrica leitura dessa obra com contos reunidos por Cagiano (humilde e, antes de tudo, ético, Cagiano negou-se a incluir no livro alguma de suas criações). E, que, além do manaura (sim, o nativo de Manaus) Aragão – que explora o espaço a ele concedido –, recolhe, nas idas e vindas, mineiros, maranhenses, paulistas, cariocas, goianos…

Gente de todo o Brasil que veio dar as caras a tapa ao leitor local. Entre erros e acertos, entre os famosos e nem os tanto, entre ecos de exagerada auto-estima e bons exemplos de texto, a obra, claro, se torna um tanto irregular. E, apesar de coletânea, bem que poderia ter sido mais breve, não é Cagiano?

“A antologia é longa porque fiz uma pesquisa da bibliografia brasiliense desde os autores que vieram na época da construção da cidade até os mais recentes”, explica o “antólogo”. O único critério que ele jura ter adotado foi a qualidade do material.

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    Arquivo Geral

    18/02/2004 0h00

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    Os escritos, compilados pelo também escritor Ronaldo Cagiano, celebram o ato de se fazer literatura no Planalto. Não importando se, para isso, os autores sejam brasilienses da gema. Aliás, nenhum deles o é. A antologia tampouco dá vez às caras novas que teimam em criar contos, crônicas e poesias. Antes disso, prefere resgatar veteranos que vivem, viveram ou simplesmente criaram algo de relevante (ou não) durante sua – dele – passagem pela cidade. Por mais breve que ela, a tal passagem por aqui, tenha sido.

    E eis que, graças ao critério (ou à sorte) da “ordem alfabética” cabe ao manaura Adrino Aragão “abrir os trabalhos”. De mãos dadas com a concisão, ele tece uma teia desconexa sobre a arte de escrever. Como pano de fundo, uma tragédia familiar que acaba servindo como inspiração para o escritor, um pobre coitado que é cobrado o tempo inteiro pela editora – calma, iniciantes, este paredón é típico de quem vive esse tipo de drama.

    O tema, tão natural para aqueles que teimam em fazer da escrita um meio de vida, acaba perspassando a quilométrica leitura dessa obra com contos reunidos por Cagiano (humilde e, antes de tudo, ético, Cagiano negou-se a incluir no livro alguma de suas criações). E, que, além do manaura (sim, o nativo de Manaus) Aragão – que explora o espaço a ele concedido –, recolhe, nas idas e vindas, mineiros, maranhenses, paulistas, cariocas, goianos…

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    “A antologia é longa porque fiz uma pesquisa da bibliografia brasiliense desde os autores que vieram na época da construção da cidade até os mais recentes”, explica o “antólogo”. O único critério que ele jura ter adotado foi a qualidade do material.

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