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Concertos em tom político

Arquivo Geral

14/01/2004 0h00

Em 1930 uma revolução que quase originou uma guerra civil por todo o País – o que de fato ocorreu em São Paulo – levou ao poder da República o gaúcho Getúlio Vargas. Seu vice seria o paraibano João Pessoa, assassinado friamente em Recife. Em Concerto Para Paixão e Desatino – Romance de Uma Revolução Brasileira, o escritor paraibano Moacir Japiassu utiliza o fato histórico, seus personagens e o ambiente político para realizar uma exemplar ficção cujo ponto de partida nem mesmo o autor consegue identificar mais. Japiassu alega, em defesa da liberdade poética, que já não sabe apontar o que é ficção e o que é realidade nesse saboroso texto.

Sabendo-se disso, não se deve esperar desta obra um relato histórico puro e simples. A época, o fato e as pessoas são reais, panos de fundo para uma trama regional que não perde o referencial brasileiro. Mas a trama é ficcional.

Moacir Japiassu chegou a duvidar se manteria os personagens reais da Revolução de 30 ou se criaria uma história paralela. Tomou outro caminho e ousou criar sobre os fatos e as pessoas. Depois de pronto o livro ele reconhece ser difícil identificar as passagens verossímias do texto. Mas a sua história manteve vários personagens históricos como Juarez Távora, Agildo Barata e José Américo de Almeida. Deste último, cuja obra o influenciou bastante, Japiassu chega a citar textualmente trechos de A Bagaceira em seu Concerto…

A narrativa de Moacir Japiassu é coloquial, feita para o povo entender a história. Ele não considero o texto antiliterário. Pelo contrário, entende a linguagem como uma espécie de dialeto, “riquíssimo em suas epênteses e prosopopéias”. O autor argumenta que escrever é escolher a palavra certa que soe bem na frase. “Texto é musicalidade”, define o escritor de Concerto Para Paixão e Desatino – Romance de Uma Revolução Brasileira.

O romance segue uma trilha similar à de uma minissérie de TV – e aqui não há segundas intenções; Japiassu, de 60 anos, começou tarde na literatura e não pretende escrever para televisão. Histórias que iniciam e se encerram num mesmo capítulo e os personagens são agrupados em núcleos que se interligam no decorrer da trama. Moacir tem formação cinematográfica e este estilo surge naturalmente no seu jeito de escrever. Concerto… é o segundo romance de Moacir Japiassu, que já publicou Santa do Cabaré.

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    14/01/2004 0h00

    Em 1930 uma revolução que quase originou uma guerra civil por todo o País – o que de fato ocorreu em São Paulo – levou ao poder da República o gaúcho Getúlio Vargas. Seu vice seria o paraibano João Pessoa, assassinado friamente em Recife. Em Concerto Para Paixão e Desatino – Romance de Uma Revolução Brasileira, o escritor paraibano Moacir Japiassu utiliza o fato histórico, seus personagens e o ambiente político para realizar uma exemplar ficção cujo ponto de partida nem mesmo o autor consegue identificar mais. Japiassu alega, em defesa da liberdade poética, que já não sabe apontar o que é ficção e o que é realidade nesse saboroso texto.

    Sabendo-se disso, não se deve esperar desta obra um relato histórico puro e simples. A época, o fato e as pessoas são reais, panos de fundo para uma trama regional que não perde o referencial brasileiro. Mas a trama é ficcional.

    Moacir Japiassu chegou a duvidar se manteria os personagens reais da Revolução de 30 ou se criaria uma história paralela. Tomou outro caminho e ousou criar sobre os fatos e as pessoas. Depois de pronto o livro ele reconhece ser difícil identificar as passagens verossímias do texto. Mas a sua história manteve vários personagens históricos como Juarez Távora, Agildo Barata e José Américo de Almeida. Deste último, cuja obra o influenciou bastante, Japiassu chega a citar textualmente trechos de A Bagaceira em seu Concerto…

    A narrativa de Moacir Japiassu é coloquial, feita para o povo entender a história. Ele não considero o texto antiliterário. Pelo contrário, entende a linguagem como uma espécie de dialeto, “riquíssimo em suas epênteses e prosopopéias”. O autor argumenta que escrever é escolher a palavra certa que soe bem na frase. “Texto é musicalidade”, define o escritor de Concerto Para Paixão e Desatino – Romance de Uma Revolução Brasileira.

    O romance segue uma trilha similar à de uma minissérie de TV – e aqui não há segundas intenções; Japiassu, de 60 anos, começou tarde na literatura e não pretende escrever para televisão. Histórias que iniciam e se encerram num mesmo capítulo e os personagens são agrupados em núcleos que se interligam no decorrer da trama. Moacir tem formação cinematográfica e este estilo surge naturalmente no seu jeito de escrever. Concerto… é o segundo romance de Moacir Japiassu, que já publicou Santa do Cabaré.

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