Dogville, o novo filme do cineasta dinarmaquês Lars Von Trier, incomoda. Em três horas de projeção, o cineasta mostra até que ponto pode chegar a natureza humana. O filme é negativista? É. Mas vale cada minuto de projeção. Não há como sair indiferente às mudanças de caráter de cada um dos personagens. O longa, que se passa na década de 30, conta a história de Grace (Nicole Kidman, soberba no papel), uma fugitiva que chega à isolada cidade de Dogville após fugir de gângsteres. Encorajada por Tom (Paul Bettany), o porta-voz da cidade, Grace faz com a população local um acordo informal: eles a ajudam a se esconder e, em troca, ela trabalha (de todas as formas) para eles. Entretanto, quando a busca por Grace se intensifica, a população local começa a querer um acordo melhor junto a ela, devido ao risco que todos eles estão correndo por escondê-la. É quando Grace percebe que a aparente boa vontade de Dogville tem um preço alto a pagar. Nunca um nome de um filme foi tão preciso.