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Cinema dinamarquês, de graça, na Thomas Jefferson

Arquivo Geral

01/08/2005 0h00

Sabe aqueles filmes que tiram o fôlego e impossibilitam tranqüilas noites de sono? Cinco deles estão reunidos na mostra O Cinema de Navalha de Lars Von Trier, na Casa Thomas Jefferson, de hoje a sexta-feira, sempre às 20h.

Nascido na Dinamarca em 1956, Lars Von Trier criou, em companhia do cineasta compatriota Thomas Vinterberg, o movimento Dogma 2005, que propõe um cinema mais simples, sem artifícios técnicos. Mas, ao longo da carreira, Von Trier rompe com ele mesmo e passa a criar um cinema metafórico, não naturalista, sem cenários. “Ele é um dos seguidores de Bertold Brecht, cuja ação se passa sem cenários”, esclarece Sérgio Moriconi, curador do evento.

Ele conta que a maioria dos filmes da mostra ainda não está disponível em CD e DVD. Isso explica porque o Dançando no Escuro (2000), grande sucesso de Von Trier, não será exibido. “Dançando no Escuro é muito conhecido e existe em CD e DVD. Ao contrário do Europa e do Ondas da Paixão, por exemplo, que só foram vistos no cinema”, afirma.

Segundo Moriconi, outro critério de seleção foi o fato de os cinco filmes possibilitarem ao espectador perceber a evolução estilística de Von Trier. Em O Elemento do Crime (1984), filme que abre a mostra, e Europa (1991), em exibição amanhã, o diretor critica a realidade dos países do Velho Continente. No primeiro, uma mistura de terror, suspense e ficção científica, Fischer, personagem de Michael Elphick, conduz um inquérito de homicídio na Europa e descobre que o continente está em decadência.

Já no premiado Europa (1991), um jovem americano, interpretado por Jean-Marc Barr, chega à Alemanha após a guerra para conhecer o país de sua família. Com o tempo, envolve-se, sem perceber, com ex-nazistas. “É uma reflexão sobre as conseqüências das duas guerras mundiais”, comenta o curador.

As inquietações de Von Trier ficam mais evidentes em Ondas da Paixão (1996), único trabalho em que ele se dedica a contar uma história arrebatadora de amor. Ambientado no início dos anos 70, Ondas da Paixão narra a vida do casal Jean e Bess (Jean Marc-Barr e Emily Watson), que se une apesar da discordância de pessoas de seu convívio. O clímax se dá quando Jan sofre um acidente, fica paralítico e tenta convencer a esposa a dormir com outros homens e lhe contar essa experiência.

Um dos filmes que revelam o caráter naturalista de Von Trier será exibido na quinta-feira. Em Os Idiotas (1998), o diretor segue um grupo de jovens que se interessam pela “idiotia”. Eles se reúnem em uma grande casa onde passam o tempo livre explorando os valores da idiotice. Com uma câmera na mão, sem a estilização dos gêneros consagrados do cinema, Von Trier critica os valores sociais vigentes.

Para encerrar a mostra, foi escolhido o aclamado Dogville (2003). Premiado nos Festivais de Cannes, Telluride, Toronto, Nova Iorque, entre outros, o filme evidencia o caráter brechtiniano de Van Trier, que constrói uma verdadeira alegoria.

Dogville é o primeiro filme de uma trilogia de crítica aos Estados Unidos. “Lars Von Trier nunca foi aos Estados Unidos, mas faz críticas porque se considera 60% norte-americano. Ele tem razão. Essa cultura é tão invasiva que influencia a todos nós”, opina Moriconi.

O segundo filme da trilogia é Manderlay, exibido em Cannes em maio. O filme trata do racismo nos Estados Unidos e segue a lógica de Dogville, não apresentando cenários. “Manderlay foi um choque em Cannes”, lembra Moriconi.

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    Nascido na Dinamarca em 1956, Lars Von Trier criou, em companhia do cineasta compatriota Thomas Vinterberg, o movimento Dogma 2005, que propõe um cinema mais simples, sem artifícios técnicos. Mas, ao longo da carreira, Von Trier rompe com ele mesmo e passa a criar um cinema metafórico, não naturalista, sem cenários. “Ele é um dos seguidores de Bertold Brecht, cuja ação se passa sem cenários”, esclarece Sérgio Moriconi, curador do evento.

    Ele conta que a maioria dos filmes da mostra ainda não está disponível em CD e DVD. Isso explica porque o Dançando no Escuro (2000), grande sucesso de Von Trier, não será exibido. “Dançando no Escuro é muito conhecido e existe em CD e DVD. Ao contrário do Europa e do Ondas da Paixão, por exemplo, que só foram vistos no cinema”, afirma.

    Segundo Moriconi, outro critério de seleção foi o fato de os cinco filmes possibilitarem ao espectador perceber a evolução estilística de Von Trier. Em O Elemento do Crime (1984), filme que abre a mostra, e Europa (1991), em exibição amanhã, o diretor critica a realidade dos países do Velho Continente. No primeiro, uma mistura de terror, suspense e ficção científica, Fischer, personagem de Michael Elphick, conduz um inquérito de homicídio na Europa e descobre que o continente está em decadência.

    Já no premiado Europa (1991), um jovem americano, interpretado por Jean-Marc Barr, chega à Alemanha após a guerra para conhecer o país de sua família. Com o tempo, envolve-se, sem perceber, com ex-nazistas. “É uma reflexão sobre as conseqüências das duas guerras mundiais”, comenta o curador.

    As inquietações de Von Trier ficam mais evidentes em Ondas da Paixão (1996), único trabalho em que ele se dedica a contar uma história arrebatadora de amor. Ambientado no início dos anos 70, Ondas da Paixão narra a vida do casal Jean e Bess (Jean Marc-Barr e Emily Watson), que se une apesar da discordância de pessoas de seu convívio. O clímax se dá quando Jan sofre um acidente, fica paralítico e tenta convencer a esposa a dormir com outros homens e lhe contar essa experiência.

    Um dos filmes que revelam o caráter naturalista de Von Trier será exibido na quinta-feira. Em Os Idiotas (1998), o diretor segue um grupo de jovens que se interessam pela “idiotia”. Eles se reúnem em uma grande casa onde passam o tempo livre explorando os valores da idiotice. Com uma câmera na mão, sem a estilização dos gêneros consagrados do cinema, Von Trier critica os valores sociais vigentes.

    Para encerrar a mostra, foi escolhido o aclamado Dogville (2003). Premiado nos Festivais de Cannes, Telluride, Toronto, Nova Iorque, entre outros, o filme evidencia o caráter brechtiniano de Van Trier, que constrói uma verdadeira alegoria.

    Dogville é o primeiro filme de uma trilogia de crítica aos Estados Unidos. “Lars Von Trier nunca foi aos Estados Unidos, mas faz críticas porque se considera 60% norte-americano. Ele tem razão. Essa cultura é tão invasiva que influencia a todos nós”, opina Moriconi.

    O segundo filme da trilogia é Manderlay, exibido em Cannes em maio. O filme trata do racismo nos Estados Unidos e segue a lógica de Dogville, não apresentando cenários. “Manderlay foi um choque em Cannes”, lembra Moriconi.

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