O filme é real, mas pouco criativo. Com uma fórmula já desgastada no cinema brasileiro, o diretor Jorge Fernando reuniu grandes nomes da dramaturgia nacional – todos globais, claro! – no filme Sexo, Amor e Traição, que estréia hoje nos cinemas de todo o País. A produção é a adaptação brasileira para o mexicano Sexo, Pudor e Lágrimas, filme de maior bilheteria da história do país, lançado em 1999. Cerca de 6 milhões de pessoas o assistiram. Cenas cotidianas de dois casais em crise predominam no longa. Por isso ele é real. Fala de falta amor, de falta de sexo, de tentações sexuais, briguinhas por problemas domésticos, enfim, tudo exatamente como acontece nas melhores famílias. Malu Mader e Murilo Benício formam o primeiro casal. Alessandra Negrini e Caco Ciocler, o segundo. Apesar de bons atores, os quatro não conseguiram passar ao público a “química” de seus personagens. Para salvar esse lado “sexual” – como adianta o título do longa – vem a atuação hilária de Fábio Assunção, que não só tem química com as referidas atrizes, como consegue deixar a platéia feminina de queixo caído com sua interpretação de “garoto-carioca-desleixado-gostosão”. Para melhorar o ibope do ator, o diretor Jorge Fernando inclui cenas nada econômicas do bumbum dele nu. Carlos e Ana, papéis de Malu Mader e Murilo Benício, vivem no sétimo andar de um edifício no coração do Rio de Janeiro. Ana precisa e busca mais carinho do que seu marido lhe dá. Inesperadamente, Tomás, um amigo do casal, chega depois de muitos anos de viagem e se hospeda na casa dos dois. Andréa e Miguel, Alessandra Negrini e Caco Ciocler, vivem num edifício em frente, também no sétimo andar. Andréa está cansada da indiferença de seu marido e ressentida por que ele a vê apenas como um objeto a ser exibido. Em uma festa do trabalho dele, eles encontram Cláudia (Heloísa Périssé), o primeiro amor de Miguel. Cláudia, não tendo lugar para ficar, acaba passando a noite no apartamento de Miguel. A presença dos recém-chegados é o grande detonador das infidelidades, separações e reconciliações, que acabará levando os homens a um apartamento e as mulheres a outro, numa espécie de duelo em que todos os envolvidos terão de lidar com uma série de conflitos na busca da realização pessoal e do amor. Marcello Anthony e Betty Faria são dois coadjuvantes. Ele impressiona como o homossexual Nestor, que, assim como na vida real, faz a alegria das mulheres em fossa. Betty é a mãe de Murilo Benício. A trilha sonora merece destaque. Da abertura, com canção de Luciana Mello, passando pelas baladas de Ed Motta e de outros compositores da nova safra da música nacional.