Na semana passada, o cantor Roberto Carlos foi internado no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, para se submeter a um cateterismo – exame que verifica se as artérias do coração estão obstruídas. Para alívio dos fãs, estava tudo ok com o coração do Rei. Os médicos recomendaram apenas descanso e cuidados com a alimentação. Roberto Carlos, que completou 63 anos ontem, se queixava de dores no peito. Mas será que todo tipo de dor na região do tórax é sinal de complicações cardíacas?
O cardiologista Dr. Daniel França Vasconcelos, professor da Faculdade de Medicina da UnB, diz que nem todas as dores no peito são sinal de problemas no coração. “O problema pode estar na costela, no esôfago, nos músculos intercostais ou ser apenas ansiedade”, revela o professor. “É comum as pessoas virem ao meu consultório queixando-se de dores no peito e achando que são problemas no coração. Antes de pedir o cateterismo, sugiro fazer exames menos invasivos, como o eletrocardiograma e o teste ergonométrico”, recomenda.
O cateterismo é indolor e considerado um procedimento de baixo risco para a saúde do paciente. Consiste na perfuração de uma artéria, na altura do braço ou da virilha, onde é introduzido um cateter – tubo muito fino e flexível –, que é guiado até o coração para que se possa avaliar e/ou tratar os problemas detectados.
O pneumologista Paulo César Restizo, membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia, sabe que nem todas as dores no tórax ocorrem em decorrência de complicações cardíacas, mas “a primeira coisa a fazer quando se sente dores no peito é verificar se há algum problema no coração”, afirmou Restizo. Principalmente se o paciente tiver fatores de risco, como hipertensão, histórico de casos de infarto na família, colesterol alto, ser fumante, ter idade acima de 40 anos, ter o costume de consumir alimentos gordurosos e vida sedentária.
Problemas pulmonares que afetam a pleura – membrana que envolve os pulmões – provocam dores no peito. Excesso de esforço dos músculos intercostais e peitorais também. Segundo o gastroenterologista Vinícius Lima, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), 40% das internações no pronto-socorro, de madrugada, são por problemas no esôfago. “É comum as pessoas irem dormir depois do jantar. Esse hábito favorece o refluxo gástrico. Com isso, sentem uma dor no peito e vão logo para o hospital, achando que é problema de coração”, diz o Dr. Lima.
Os cardiologistas afirmam que a dor do infarto é inconfundível. “É um aperto muito forte com a sensação iminente de morte. Além disso, há uma sensação de dormência do braço esquerdo e, às vezes, até da mandíbula”, contou o Dr. Daniel França.
Apesar de estar fazendo shows e ter a agenda cheia, os médicos de Roberto Carlos recomendaram o cateterismo porque o Rei está na casa dos 60 anos. Mesmo sem os fatores de risco, qualquer pessoa acima dos 40, que sentir dores no peito, deve procurar um cardiologista para fazer eletrocardiograma. Esse exame mede o fluxo dos batimentos cardíacos, podendo detectar se há descompasso do ritmo do coração.