A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional interpreta a principal obra do maestro alemão Carl Orff em dois mega-espetáculos na Sala Villa-Lobos. Sob a batuta do regente Sílvio Barbato, a sinfônica executa os três movimentos da cantata Carmina Burana, de Orff, acompanhada dos solistas Rose Provenzano, Geilson dos Santos e Leonardo Neiva, com participação ainda do Coro Lírico de Brasília e do Coro Lírico Infantil.
Essa não é a primeira vez que Barbato fica à frente da cantata Carmina Burana. O discípulo direto do maestro Cláudio Santoro (fundador da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional) já havia regido a orquestra juntamente com os mesmos corais em 2001, quando contou com diferentes solistas: Lys Nardoto (soprano), Della Henry (soprano), Lício Bruno (barítono) e Paulo Mandarino (tenor).
Carmina Burana é uma expressão latina que significa Canções de Beuron, manuscrito que reunia poemas alemães profanos do século 13, escritos em baixo latim e baixo alemão, encontradas por historiadores num velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, no sudoeste da Alemanha. Esse documento literário foi descoberto somente em 1803, quando veio a se revelar uma das mais importantes fontes para o estudo da poesia latina secular do final da Idade Média.
Mais tarde, em 1934, o maestro alemão Carl Orff descobriu, por acaso, a existência da edição dos Carmina Burana de J. Schmeller. Orff selecionou 24 textos do bibliotecário e agrupou em três grupos: o primeiro, intitulado A Primavera, dedicado à estação das flores, com canções de carácter lírico sobre amores inocentes; o segundo, Na Taberna, com ênfase no vinho, comida, vícios e marginalidade; e o último momento, A Corte do Amor, sobre sexo.
Três anos mais tarde, em 1937, Orff ganhava reconhecimento mundial pela peça que havia composto. Além disso, criou um método na área da educação infanto-juvenil, que tinha por base a união do canto coral com a percussão para fins de moldar o comportamento da criança.