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Caipiras com orgulho

Arquivo Geral

17/02/2005 0h00

Mais do que uma simples dupla de violeiros e contadores de causos, Zé Mulato & Cassiano são militantes da música caipira. Mineiros de nascença e hoje moradores da capital federal, os irmãos são retentores do Prêmio Tim de Melhor Dupla Caipira (pelo disco Sangue Novo). Aos 30 anos de carreira (25 da gravação do primeiro disco), eles conseguiram um sofrido prêmio Sharp, em 1998, e podem ser considerados os maiores astros da música caipira atual. Zé Mulato conversou com o Jornal de Brasília e anuncia o décimo disco da dupla no show que faz, hoje, no projeto Viola Sertaneja, do Café Cancun.

O título do programa, inaugurado com performance do violeiro e compositor Renato Teixeira, não agradou muito a Zé Mulato. “Só de chamar essa viola de sertaneja, me soa falso. Viola ou é caipira, ou não é viola. Tô com a foice na mão para discutir”, polemiza. Contudo, o violeiro reconhece a necessidade de eventos voltados para a música caipira. “Mas qualquer coisa que levar a nossa viola ao reconhecimento é bem-vinda”, diz.

Zé Mulato & Cassiano são caipiras com orgulho. Defensora das raízes interioranas, a dupla coloca suas violas a serviço das modinhas, do som de fazenda e, segundo define Mulato, da original música popular brasileira: “FHC disse certa vez que o nosso Brasil é totalmente caipira. Ele tem razão. O caipira quer dizer original. Nosso povo começou, de uns anos para cá, a olhar um pouco para dentro da sua própria cultura. Confio no brasileiro. Ele sabe o que é bom”.

No show, a dupla faz uma revisão das três décadas de estrada, registradas no álbum mais recente, 25 Anos. O repertório inclui, entre outras, as canções Meu Céu, Lágrima, Diário do Caipira, A Vida é Dura Pra Quem é Mole, O Homem e a Espingarda, Remoendo Solidão e Minha Prisão. No show, o público poderá conferir em primeira mão algumas das novas composições de Zé Mulato & Cassiano, que devem entrar no próximo álbum, mas que eles prefiriram não revelar. “O próximo disco começa a ser gravado no final deste mês. Temos músicas inéditas até com certa sobra”, conta Mulato. Segundo ele, o décimo álbum da carreira contará com duas ou três regravações de músicas que não tiveram a repercussão merecida.

Roberto CorrêaFoi em Brasília que se deu o encontro entre Zé Mulato & Cassiano e o maior intelectual da viola caipira, Roberto Corrêa. A parceria foi primordial para que a dupla conquistasse o prêmio Sharp pelo álbum Meu Céu, que levou direção musical e produção de Corrêa. “Todos nós, violeiros, devemos muito ao Roberto, porque ele é o fundo do capricho. Ele desvendou os segredos da viola caipira”, discorre Zé Mulato.

Roberto Corrêa também teve suas portas abertas em Brasília devido ao sucesso que a dupla começara a fazer nos anos 80, quando – desabafa Mulato – era quase impossível tocar música caipira na capital. “O público brasiliense tem agido de maneira muito respeitosa. É uma certa realização conseguir esse espaço aqui, porque antes era quase um ascrilégio cantar música caipira em Brasília”.

Após o show de Zé Mulato & Cassiano, o Viola Sertaneja apresenta música sertaneja dançante com a jovem dupla brasiliense Pedo Paulo & Matheus.

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    O título do programa, inaugurado com performance do violeiro e compositor Renato Teixeira, não agradou muito a Zé Mulato. “Só de chamar essa viola de sertaneja, me soa falso. Viola ou é caipira, ou não é viola. Tô com a foice na mão para discutir”, polemiza. Contudo, o violeiro reconhece a necessidade de eventos voltados para a música caipira. “Mas qualquer coisa que levar a nossa viola ao reconhecimento é bem-vinda”, diz.

    Zé Mulato & Cassiano são caipiras com orgulho. Defensora das raízes interioranas, a dupla coloca suas violas a serviço das modinhas, do som de fazenda e, segundo define Mulato, da original música popular brasileira: “FHC disse certa vez que o nosso Brasil é totalmente caipira. Ele tem razão. O caipira quer dizer original. Nosso povo começou, de uns anos para cá, a olhar um pouco para dentro da sua própria cultura. Confio no brasileiro. Ele sabe o que é bom”.

    No show, a dupla faz uma revisão das três décadas de estrada, registradas no álbum mais recente, 25 Anos. O repertório inclui, entre outras, as canções Meu Céu, Lágrima, Diário do Caipira, A Vida é Dura Pra Quem é Mole, O Homem e a Espingarda, Remoendo Solidão e Minha Prisão. No show, o público poderá conferir em primeira mão algumas das novas composições de Zé Mulato & Cassiano, que devem entrar no próximo álbum, mas que eles prefiriram não revelar. “O próximo disco começa a ser gravado no final deste mês. Temos músicas inéditas até com certa sobra”, conta Mulato. Segundo ele, o décimo álbum da carreira contará com duas ou três regravações de músicas que não tiveram a repercussão merecida.

    Roberto CorrêaFoi em Brasília que se deu o encontro entre Zé Mulato & Cassiano e o maior intelectual da viola caipira, Roberto Corrêa. A parceria foi primordial para que a dupla conquistasse o prêmio Sharp pelo álbum Meu Céu, que levou direção musical e produção de Corrêa. “Todos nós, violeiros, devemos muito ao Roberto, porque ele é o fundo do capricho. Ele desvendou os segredos da viola caipira”, discorre Zé Mulato.

    Roberto Corrêa também teve suas portas abertas em Brasília devido ao sucesso que a dupla começara a fazer nos anos 80, quando – desabafa Mulato – era quase impossível tocar música caipira na capital. “O público brasiliense tem agido de maneira muito respeitosa. É uma certa realização conseguir esse espaço aqui, porque antes era quase um ascrilégio cantar música caipira em Brasília”.

    Após o show de Zé Mulato & Cassiano, o Viola Sertaneja apresenta música sertaneja dançante com a jovem dupla brasiliense Pedo Paulo & Matheus.

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