Em um ano de campanha de incentivo à doação de medula óssea, o número de doadores duplicou no Brasil. Graças à campanha, promovida pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), existem hoje, segundo a Agência Brasil, cerca de 130 mil possíveis doadores.
O diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea, Luís Fernando Bozas, atribuiu o aumento à mudança de estratégia nas campanhas de doação e a um direcionamento na forma de abordar os prováveis colaboradores. “Com isso, a campanha deixou de ser uma campanha geral que aparecia na mídia, ou seja, uma coisa não muito direcionada. E conseguimos uma variedade grande em relação às regiões do país”, disse Bozas.
De acordo com o Inca, em dezembro de 2003, havia em torno de 43 mil doadores e, em 2004, esse número passou para 105 mil. A meta para os próximos dois anos é de 250 a 300 mil doadores cadastrados.
Segundo o diretor do Centro de Transplante, os maiores beneficiados serão os pacientes à espera de um transplante de medula e não têm doador compatível na família: “Existe uma possibilidade em torno 30% de encontrar um doador na família, e os outros 70% seriam pacientes que não têm essa possibilidade. Portanto, serão esses que irão se beneficiar”.
Lançada em 18 de junho de 2004, a Campanha Nacional de Doadores de Medula Óssea é realizada em vários estados, em parceria com empresas e hemocentros. A iniciativa conta com apoio de secretarias de Saúde e de organizações não-governamentais.
Dois meses após receber implante de células-tronco para evitar que uma trombose resultasse na amputação da perna esquerda, um paciente, morador de Campo Grande (MS), teve a confirmação de que não precisará amputar o membro. O cirurgião vascular José Dalmo de Araújo, de São José do Rio Preto (a 440 km de SP), relatou que o implante pioneiro no país foi um sucesso e permitirá que outras pessoas se submetam ao mesmo procedimento. O cirurgião informou que está “descartada a necessidade de amputação do membro afetado pela trombose.”
Quando chegou ao hospital para o tratamento com células-tronco, Ramão Torres Martins, 49 anos, já tinha indicação para a amputação. Exames de pressão arterial e fluxo sangüíneo constataram melhora de 50% no quadro clínico em comparação aos mesmos exames realizados antes do implante. A equipe médica retirou 500 ml de sangue da medula óssea de Martins. Depois, o sangue foi processado e 40 ml de células-tronco foram isoladas. As células foram injetadas dentro de um músculo da panturrilha.