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As novelas e seus absurdos

Arquivo Geral

03/07/2005 0h00

Nada contra novela. É até bom acompanhar as histórias, dar palpite sobre os problemas alheios sem ser inconveniente, já que se tratam de personagens, torcer por um ou contra outro e até aprender e refletir sobre assuntos pouco divulgados. Também não se discute que o Brasil produz as melhores novelas do mundo, com entrada em lares portugueses, franceses, espanhóis, italianos, japoneses, russos e chineses, sempre com grande sucesso.

América, por exemplo, deve ser aplaudida por mostrar dois mundos desconhecidos para muita gente: o dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, que enfrentam todo o tipo de risco e humilhação para entrar e viver naquele país; e o dia-a-dia dos deficientes visuais – tanto os que estudam, trabalham, se divertem, fazem tudo normalmente na medida do possível, quanto aqueles superprotegidos ou discriminados, que passam a acreditar que são incapazes. São emocionantes as cenas da menina cega Flor (bem interpretada por Bruna Marquezine) descobrindo a vida, como qualquer criança.

No entanto, América apresenta situações absurdas: outro dia, Haydée (Christiane Torloni) fazia confidências à advogada Nina (Cissa Guimarães) sobre seu marido, Glauco (Édson Celulari). Nina é amante de Glauco há nove anos, Haydée já foi alertada várias vezes sobre isso pela amiga Irene (Daniela Escobar), mas não acredita e ainda insiste em solidificar sua amizade com a advogada. Santa ingenuidade! Será que não dá para desconfiar de nada? A personagem de Christiane Torloni demonstra ser a verdadeira “cega” da novela. É de uma falta de visão irreal. É fato que a autora, Glória Perez, precisa complicar a trama para, depois, desenrolá-la. É sempre assim em novela. O problema é que já passou da hora de Haydée desmascarar o “maridão”.

Alma Gêmea, a romântica novela das seis da Globo, do competente Walcyr Carrasco, também tem seus absurdos. A morte e a reencarnação de Luna (Liliana Castro) em Serena (Priscila Fantin) ocorreram no mesmo dia – uma morreu, a outra nasceu e ganhou imediatamente a alma da falecida –, fato que nem os espíritas explicam, já que a reencarnação, dizem os especialistas, só pode acontecer passado certo tempo da morte. Seria uma nova oportunidade de aprendizado ou de resgate de assuntos que ficaram pendentes na Terra. Além disso, há o sotaque da índia Serena, meio nordestino, meio italiano, que não convence.

Essas Mulheres, trama da Record que tem atingido média de dez pontos entre 19h15 e 20h15, a segunda melhor audiência do horário, atrás apenas da Globo, andou pecando pela linguagem. Nos primeiros capítulos, o texto, de época, tinha expressões como “então, tá”, em pleno século 19. Pode ter sido apenas um escorregão. A novela tem qualidade, é bem-feita, mas esse detalhe soou absurdo.

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    03/07/2005 0h00

    Nada contra novela. É até bom acompanhar as histórias, dar palpite sobre os problemas alheios sem ser inconveniente, já que se tratam de personagens, torcer por um ou contra outro e até aprender e refletir sobre assuntos pouco divulgados. Também não se discute que o Brasil produz as melhores novelas do mundo, com entrada em lares portugueses, franceses, espanhóis, italianos, japoneses, russos e chineses, sempre com grande sucesso.

    América, por exemplo, deve ser aplaudida por mostrar dois mundos desconhecidos para muita gente: o dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, que enfrentam todo o tipo de risco e humilhação para entrar e viver naquele país; e o dia-a-dia dos deficientes visuais – tanto os que estudam, trabalham, se divertem, fazem tudo normalmente na medida do possível, quanto aqueles superprotegidos ou discriminados, que passam a acreditar que são incapazes. São emocionantes as cenas da menina cega Flor (bem interpretada por Bruna Marquezine) descobrindo a vida, como qualquer criança.

    No entanto, América apresenta situações absurdas: outro dia, Haydée (Christiane Torloni) fazia confidências à advogada Nina (Cissa Guimarães) sobre seu marido, Glauco (Édson Celulari). Nina é amante de Glauco há nove anos, Haydée já foi alertada várias vezes sobre isso pela amiga Irene (Daniela Escobar), mas não acredita e ainda insiste em solidificar sua amizade com a advogada. Santa ingenuidade! Será que não dá para desconfiar de nada? A personagem de Christiane Torloni demonstra ser a verdadeira “cega” da novela. É de uma falta de visão irreal. É fato que a autora, Glória Perez, precisa complicar a trama para, depois, desenrolá-la. É sempre assim em novela. O problema é que já passou da hora de Haydée desmascarar o “maridão”.

    Alma Gêmea, a romântica novela das seis da Globo, do competente Walcyr Carrasco, também tem seus absurdos. A morte e a reencarnação de Luna (Liliana Castro) em Serena (Priscila Fantin) ocorreram no mesmo dia – uma morreu, a outra nasceu e ganhou imediatamente a alma da falecida –, fato que nem os espíritas explicam, já que a reencarnação, dizem os especialistas, só pode acontecer passado certo tempo da morte. Seria uma nova oportunidade de aprendizado ou de resgate de assuntos que ficaram pendentes na Terra. Além disso, há o sotaque da índia Serena, meio nordestino, meio italiano, que não convence.

    Essas Mulheres, trama da Record que tem atingido média de dez pontos entre 19h15 e 20h15, a segunda melhor audiência do horário, atrás apenas da Globo, andou pecando pela linguagem. Nos primeiros capítulos, o texto, de época, tinha expressões como “então, tá”, em pleno século 19. Pode ter sido apenas um escorregão. A novela tem qualidade, é bem-feita, mas esse detalhe soou absurdo.

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