O ano de 2004 está prometendo em termos de atrações culturais na área da música. Depois da abertura da temporada com a voz de ouro de Jane Monheit, no Centro Cultural Banco do Brasil, em janeiro, o ás da guitarra Stanley Jordan dá prosseguimento à programação jazzística internacional da cidade, amanhã à noite. Jordan encerra em Brasília sua turnê brasileira – que já passou por São Paulo, Rio de Janeiro (lotando o Canecão) e Fortaleza –, com uma apresentação única, inaugurando o Teatro do Hotel Blue Tree, pelo projeto Blue Tree Jazz Festival.
O espaço, com capacidade para 420 pessoas, já existia, mas era destinado a reuniões e eventos internos. Claudia Pereira, coordenadora do Blue Tree Jazz Festival, garante que a idéia inicial é trazer a cada mês um grande nome do jazz ou do blues internacional e mesmo nacional. Como o projeto ainda está em fase de implementação, Claudia prefere não adiantar os nomes das próximas atrações. “Temos bons músicos no País. Porque não incentivá-los e prestigiá-los também?”, argumenta. Para ela, o público da cidade ainda é carente desse tipo de iniciativa. “O projeto pretende agradar aos verdadeiros apreciadores dessa música mais apurada”, afirma.
De músico de rua em Nova York, no início da década de 1980, para o estrelato do mundo do jazz, Jordan revolucionou o modo de tocar guitarra com sua técnica conhecida como “tapping” ou toque, que tem orquestração semelhante a dos teclados. Essa forma inovadora de extrair sons díspares das cordas elétricas vem de estudos de piano feitos na juventude. Em sua técnica, Stanley Jordan conseguiu executar, simultaneamente, a harmonia, os baixos e a melodia no mesmo instrumento.
Seu estilo incomum para a época deu título ao disco de estréia, o excelente álbum Magic Touch ou Toque Mágico, lançado em 1985. O sucesso foi tamanho que, imediatamente, Stanley Jordan foi elevado à condição de guitarman cultuado em todo o mundo, alcançando a marca de 51 semanas no topo da parada de jazz da revista Billboard.
Aos 44 anos, Jordan é figura fácil nos principais festivais de jazz do mundo e já passou pelo Brasil algumas vezes. Geralmente, ele costuma se apresentar sozinho, dada a capacidade de sua técnica e à própria característica orquestral de sua música. Mas em Brasília, o guitarrista estará acompanhado por três grandes instrumentistas brasileiros: o tecladista Marcos Nimrichter (que tocou com Gilberto Gil, Djavan, Chico Buarque, Milton Nascimento, Cássia Eller e Jorge Ben Jor, Al Jarreau, Billy Cobham e Maxxi Priest); o baterista Ivan Conti, o Mamão (ex-Azymuth); e o baixista Dudu Lima (que já tocou com o próprio Jordan, além de Mauro Senise e Herbert Vianna).
Com um repertório eclético e apaixonado por música brasileira, Stanley Jordan abrirá espaço no show para standards de Tom Jobim. Mas o público também apreciará temas de Joe Zawinul e de John Coltrane.