O cineasta Rogério Sganzerla estava com 57 anos e há 20 dias internou-se no Hospital do Câncer de São Paulo em conseqüência do câncer que sofria, no cérebro. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, a morte do cineasta deveu-se a uma metástase cerebral. Um dos filmes mais aclamados pela originalidade de sua direção é dele: O Bandido da Luz Vermelha, de 1968.
Recentemente, no 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no ano passado, ele apresentou o filme O Signo do Caos, que foi muito bem recebido pelo público, que não pôde reverenciá-lo. Por causa da doença, Sganzerla – representado pela filha Djin– foi a grande ausência do Festival. Ao receber o prêmio pelo pai, ela lembrou a importância do diretor e emocionou a platéia na Sala Villa-Lobos quando disse que Sganzerla só queria uma câmera para se sentir bem. E bradou: “Viva o cinema”.
O cineasta sofria de câncer no cérebro há algum tempo e já era submetido a um tratamento contra a doença há cerca de seis meses. Ele estava internado desde o último dia 15 de dezembro e morreu por volta das 8h30, de acordo com informações do hospital.
Sganzerla dirigiu filmes como O Bandido da Luz Vermelha, Nem Tudo é Verdade, A Mulher de Todos e Copacabana Mon Amour (veja quadro com a filmografia).
No último dia 19 de dezembro, durante a cerimônia de entrega da Medalha de Ordem do Mérito Cultural, realizada no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou a condecoração de Sganzerla para atriz Helena Ignez, sua esposa. “É uma homenagem mais do que justa e um dia especial para o Brasil, de valorização de seus artistas. Rogério está num momento de reconhecimento e isso emociona tranqüilamente”, disse Helena, que duas semana antes havia lido um manifesto do diretor na abertura do Festival de Cinema de Brasília, quando Sganzerla enfatizou: “A censura, que antes era política, agora é dos meios de produção. É preciso tirar o cinema do quarto de brinquedos”. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, o diretor estava “bem e conversando com os familiares e amigos durante o período de internação”. O corpo de Rogério Sganzerla será cremado hoje, na sua cidade natal, Joaçaba, em Santa Catarina.