A programação teatral de 2004 do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) começa com um espetáculo inédito no Brasil inteiro. K2, com Gabriel Braga Nunes e Petrônio Gontijo, fala do limite que a amizade entre dois homens pode chegar. “É fascinante. Mistura o risco de um esporte radical, o caráter de aventura, com um texto dramaticamente bem construído”, diz Braga Nunes.
K2 é o nome da segunda montanha mais alta do mundo, que possui 8.611 metros de altitude. Está localizada no Paquistão, perto da fronteira com a China, em uma cadeia chamada Karakoram, na parte oeste da Cordilheira do Himalaia. De cada dois alpinistas que chegam ao cume, um morre.
O tema da peça é a aventura de dois amigos de infância na K2, baseado em uma história real, dos dois primeiros americanos que chegaram na montanha, em 1970. Taylor, interpretado por Gabriel Braga Nunes, é promotor de Justiça, solteiro e mulherengo. Harold (Petrônio Gontijo), é cientista, casado e com um filho pequeno. “Na peça ocorre um conflito entre essas duas personilidades”, afirma Lucas Mansor, diretor de produção do espetáculo, junto com Maria Eugênia Guimarães.
Os dois alpinistas sofrem um acidente durante a escalada e despencam alguns metros, ficando confinados no meio de uma grande parede de gelo. Na queda, Harold quebra uma perna e parte do equipamento necessário para saírem da montanha se perde. Taylor fica sem saber o que fazer: deixar o amigo e salvar a vida ou ficar com ele? “É uma situação limite entre os dois amigos. Eles começam a conversar e a serem mais sentimentais”, diz o diretor.
Aspectos relevantes sobre amizade, força, coragem, sentido da vida e valor da existência humana são retratados pelos atores. Diálogos emocionam a platéia do começo até o fim, com a despedida dos dois amigos. “A peça tem um pouco de lição de vida. Fala sobre morte, mas justamente para realçar e para valorizar as coisas boas da vida”, analisa Gabriel.
A peça é a estréia do ator Gabriel Braga Nunes como produtor teatral. “Trabalhar como produtor é um desejo que eu vinha cultivando há alguns anos, isso tem a ver com a necessidade de ser mais autoral na minha carreira, poder escolher personagens, dizer o que penso”, conclui.
Depois da temporada de duas semanas em Brasília, o espetáculo segue para Uberlândia, Ribeirão Preto e estréia no Rio de Janeiro em março.