De todos os livros que já leu, Gabriela Alves prefere o conto que narra a história de Chapeuzinho Vermelho. O que já seria um ótimo exemplo de incentivo à leitura é ainda mais tocante pelo fato de Gabi, como é chamada pelos amiguinhos, estudar em uma escola pública da periferia e ter apenas seis anos de idade.
Ela é uma das crianças beneficiadas pelo projeto, pioneiro no Distrito Federal, de ampliação do Ensino Fundamental que, desde o início do ano, passou de oito para nove anos. Batizada como Bloco Inicial de Alfabetização (BIA), a medida visa antecipar em um ano o início do processo de alfabetização das crianças da rede pública do DF, a exemplo do que já acontece nas escolas particulares.
Até o início do ano, os alunos aprendiam a lidar com a escrita, a leitura e as operações básicas da matemática na primeira série, por volta dos sete anos de idade. Agora, por meio da Lei Distrital número 3483/04, a Secretaria de Educação implantou, inicialmente nas escolas de Ceilândia, o Ensino Fundamental a partir do pré-3, antecipando o primeiro contato com o mundo das letras e números.
ImplantaçãoO projeto será implantado aos poucos e segundo Eliana Ferrari, subsecretária de Educação Pública do DF, a expectativa é de que em até quatro anos chegue a todas as escolas públicas do DF. “Dispomos de um quadro diferenciado na região, pois já temos todas as crianças de seis anos nas escolas”, afirma. “Este prazo é necessário, já que precisamos de tempo para realizar as modificações necessárias para atender a comunidade da melhor forma possível, inclusive na estrutura física das escolas”, completa.
A alfabetização aos seis anos de idade não é novidade no Brasil e nem no resto do mundo. Países como o Chile, por exemplo, já adotam este método de ensino. “Assim a criança tem mais tempo para se adaptar às novidades e absorver as novas informações. Nas escolas particulares isto já acontecia”, diz Eliana.
Para implantar o projeto em Ceilândia, todos os professores e demais profissionais envolvidos com a mudança, receberam cursos de aperfeiçoamento e participaram de oficinas e palestras que discutiram a nova forma de educar. “Tivemos que adequar a linguagem para que uma criança de seis anos não tivesse dificuldade de assimilar os novos conteúdos”, explica Maria de Fátima Tavares, diretora da Escola Classe 7, de Ceilândia.
De forma a facilitar o aprendizado, os professores mesclaram atividades lúdicas com a sistematização do ensino. Artesanato de sucata, desenhos, teatrinho, fantoche, entre outros. Tudo isso transforma-se em letras, sílabas, palavras e frases que abrem um novo mundo, cheio de possibilidades, para todas essas crianças.