O contraceptivo transdérmico (que cola à pele como um band-aid), lançado há um ano no Brasil, conquistou as brasileiras, principalmente pela sua praticidade. Cerca de 25 mil mulheres já aderiram ao novo método anticoncepcional, no País, de acordo com dados do Laboratório Janssen-Cilag, que produz o adesivo Evra.
O Evra está em sétimo lugar em vendas entre as 70 marcas de contraceptivos disponíveis no mercado brasileiro. Seu método tem o mesmo princípio dos adesivos de nicotina que ajudam o fumante no tratamento para largar o cigarro. Em vez de nicotina, o adesivo contém hormônios que são liberados gradativamente na corrente sangüínea, diminuindo assim os efeitos colaterais comuns às pílulas anticoncepcionais.
PesquisaQuinhentas mulheres de cinco cidades brasileiras – São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Rio de Janeiro, Recife (PE) e Porto Alegre (RS) – participam de uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que visa avaliar a eficácia e a segurança do Evra para as mulheres. A pesquisa, prevista para ser concluída em julho deste ano, já aponta resultados positivos.
Segundo o Dr. José Bento de Souza, ginecologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, diversos estudos atestaram que o adesivo contraceptivo tem a mesma eficácia da pílula anticoncepcional (99,4%). A eficácia pode ser ainda maior porque o risco de esquecer de usar o adesivo é menor do que o de tomar a pílula diariamente. “A conclusão do estudo está relacionada à aderência ao método. Quanto maior for essa aderência, menor o número de gestações indesejadas”, afirmou o Dr. Rui Ferriani, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Na pesquisa, 78% das mulheres classificaram o novo método como excelente, muito bom e bom e 91% disseram que o usariam. Setenta e sete por cento não vêem nenhuma restrição em usá-lo.
Em junho do ano passado, na São Paulo Fashion Week, as modelos Naomi Campbel e Ana Hickman desfilaram usando o adesivo para demonstrar sua praticidade. O contraceptivo, que mede 20 cm², pode ser pregado em qualquer parte do corpo, com exceção das mamas e da sola do pé.
“Nas mamas existem receptores de hormônios que podem provocar o efeito de multiplicação das células, acelerando o desenvolvimento de tumores”, revelou a Dra. Hitomi Miura, secretária-geral da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal. Embaixo dos pés, segundo ela, o ritmo de liberação dos hormônios é comprometido pela pressão do peso do corpo. Dessa forma, o contraceptivo perderia uma de suas vantagens principais, que é a liberação gradual dos hormônios sem sobrecarregar o fígado.
PesoOutra vantagem do Evra, de acordo com estudos realizados com mulheres norte-americanas e européias, é que o seu uso freqüente não altera o peso das usuárias, além de propiciar melhora nos casos de acne.
Leidilene Alencar de Oliveira, 28 anos, usa o Evra há dois meses. “Estou emagrecendo. Antes, com a pílula, ficava inchada. Além disso, não sinto os efeitos colaterais que sentia quando tomava a pílula, como náuseas e espinhas”, afirmou Leidilene, que trabalha numa clínica oftalmológica na 715 Sul.
A caixa do Evra, com três unidades, custa R$ 45. A pílula varia de R$ 11 a R$ 42 a caixa.