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Ação em detrimento de boas idéias

Arquivo Geral

05/08/2005 0h00

Em algum tempo na história do cinema norte-americano, o gênero da chamada ficção científica era muito mais do que visual. Os recursos, mais primitivos, talvez justificassem as boas idéias. A década de 70 é bem representativa com títulos futuristas do tipo 2001: Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica ou mesmo a primeira (e pouco conhecida) produção de George Lucas, THX 1138.

Os anos 90, à beira dos 2000, trouxeram uma forte luz com a imaginação dos irmãos Wachowski colocada a favor da experiência revolucionária em efeitos especiais (sem deixar abrir mão do discurso criativo) de Matrix. Findada a saga, pouca coisa surgiu de inovadora. Aliás, nenhuma conseguiu destilar grandes surpresas. A essa lista, acrescenta-se a nova megaprodução de Michael Bay (de Armaggeddon e Pearl Harbor), A Ilha, que estéia hoje nos cinemas.

O filme é um híbidro futurista dos recente Minority Report – A Nova Lei, de Steven Spielberg, e Eu, Robô, de Alex Proyas, com o citado THX, de Lucas. Todos, numa sociedade “avançada”, são submetidos a um sistema perfeito de funcionamento (seja ele robótico, de segurança ou científico, respectivamente) até que um pequeno erro faz com que seus protagonistas embarquem numa saga para descobrir “a verdade por trás de tudo”.

Nesse sentido, A Ilha pouco acrescenta ao espectador já acostumado a thrillers com o mesmo perfil. Pelo contrário: o filme de Bay consegue ser mais pobre – nem o final arrebatador, reservado para os títulos de Spielberg, Proyas e Lucas consegue êxito na película. A Ilha se situa num universo muito semelhante ao de THX: um instituto de experimentos misteriosos onde todos são submetidos a rigorosa dieta, só podem vestir uniformes brancos e são proibidos (homem e mulher) de se aproximar ou mesmo tocar um ao outro. Isso, até que um dos internos (na versão de Lucas, Robert Duvall, e aqui, Ewan McGregor) quebra o protocolo e é perseguido pela segurança local.

McGregor interpreta o interno Lincoln Six-Echo do tal instituto, que diz ser o único módulo que abriga vida na Terra, contaminada por um vírus mortal. Como toda sua comunidade, ele aguarda ser escolhido para viajar à ilha. É um recanto perfeito, para o qual todos ali anseiam ser enviados. Quando sua melhor amiga, Jordan Two-Delta (papel de Scarlet Johansson, estrela ascendente de Hollywood) é eleita para embarcar na viagem, Six-Echo descobre que a tal ilha é, na verdade, um centro de experiências, no qual eles são as cobaias.

Na segunda metade do filme, o problema já está revelado. Não faltam mais surpresas, apenas longas seqüências de perseguições automobilísticas, com direito a todas as explosões que Bay poupou em Pearl Harbor ou Armaggeddon.

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    05/08/2005 0h00

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    Os anos 90, à beira dos 2000, trouxeram uma forte luz com a imaginação dos irmãos Wachowski colocada a favor da experiência revolucionária em efeitos especiais (sem deixar abrir mão do discurso criativo) de Matrix. Findada a saga, pouca coisa surgiu de inovadora. Aliás, nenhuma conseguiu destilar grandes surpresas. A essa lista, acrescenta-se a nova megaprodução de Michael Bay (de Armaggeddon e Pearl Harbor), A Ilha, que estéia hoje nos cinemas.

    O filme é um híbidro futurista dos recente Minority Report – A Nova Lei, de Steven Spielberg, e Eu, Robô, de Alex Proyas, com o citado THX, de Lucas. Todos, numa sociedade “avançada”, são submetidos a um sistema perfeito de funcionamento (seja ele robótico, de segurança ou científico, respectivamente) até que um pequeno erro faz com que seus protagonistas embarquem numa saga para descobrir “a verdade por trás de tudo”.

    Nesse sentido, A Ilha pouco acrescenta ao espectador já acostumado a thrillers com o mesmo perfil. Pelo contrário: o filme de Bay consegue ser mais pobre – nem o final arrebatador, reservado para os títulos de Spielberg, Proyas e Lucas consegue êxito na película. A Ilha se situa num universo muito semelhante ao de THX: um instituto de experimentos misteriosos onde todos são submetidos a rigorosa dieta, só podem vestir uniformes brancos e são proibidos (homem e mulher) de se aproximar ou mesmo tocar um ao outro. Isso, até que um dos internos (na versão de Lucas, Robert Duvall, e aqui, Ewan McGregor) quebra o protocolo e é perseguido pela segurança local.

    McGregor interpreta o interno Lincoln Six-Echo do tal instituto, que diz ser o único módulo que abriga vida na Terra, contaminada por um vírus mortal. Como toda sua comunidade, ele aguarda ser escolhido para viajar à ilha. É um recanto perfeito, para o qual todos ali anseiam ser enviados. Quando sua melhor amiga, Jordan Two-Delta (papel de Scarlet Johansson, estrela ascendente de Hollywood) é eleita para embarcar na viagem, Six-Echo descobre que a tal ilha é, na verdade, um centro de experiências, no qual eles são as cobaias.

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