Zeca Pagodinho é como um Quincy Jones do samba. Gosta de procurar músicas entre compositores novos, pouco conhecidos e, daí, arrancar-lhe um hit radiofônico. Foi assim – como Quincy Jones fez com a jovem Alliyah Haughton na música Try Again, sucesso na MTV em 2000 – que Pagodinho encontrou tesouros da batucada como Deixa a Vida me Levar (Serginho Meriti) e revelou Dudu Nobre, com a composição Posso Até me Apaixonar.
Esses e outros detalhes da carreira e vida de Pagodinho chegam às livrarias biografados pelo jornalista carioca Luiz Fernando Vianna, num novo volume da série Perfis do Rio, que desde 1996 narra curiosidades de personalidades da Cidade Maravilhosa como Vinícius de Moraes, Paulinho da Viola, Renato Russo e até do arquiteto Oscar Niemeyer e do jogador Zico.
O livro de Vianna não chega sozinho. Simultaneamente é lançado pela mesma coleção a biografia do sambista Monarco, compositor mais jovem da Velha Guarda da Portela. As curiosidades sobre Monarco foram discorridas pelas sábias palavras do músico Henrique Cazes, hoje um dos cavaquinistas mais respeitados do chorinho.
Sem dúvida, a figura de Pagodinho desperta mais atenção, mas o texto de Luiz Fernando se limita a uma história já conhecida do sambista de Xerém, com pouca novidade para o fã. A biografia deixa de lado o caráter de pesquisa, com relatos mais pessoais da vida de Zeca e pesca no rio da evolução de sua carreira, desde quando foi apadrinhado por Beth Carvalho no início dos anos 80 até sua boa-vida de superstar do povão, dos mais recentes anos.
O livro de Henrique Cazes, porém, é fundamental para entender a Velha Guarda da Portela. A partir de Monarco – o mais jovem integrante do grupo com seus 70 anos – o músico se aprofunda na história do samba azul-e-branco e alimenta o leitor com um documento histórico.
A obra de Vianna, portanto, não é digna de desmerecimento. É precisa em dados e minuciosa no detalhamento dos álbuns e sucessos de Pagodinho. Mas Henrique Cazes, com todo seu conhecimento sobre o assunto, foi contemplado com a época em que está inserida a história de Monarco, nos anos 70 de um samba decadente, mas criativo e berço de nomes como Paulinho da Viola e Martinho da Vila