Menu
Política & Poder

Grampos: Santana joga o Ibram na roda

Arquivo Geral

29/07/2016 6h32

kleber lima

Millena Lopes
[email protected]

A comprida conversa do vice-governador Renato Santana e da sindicalista Marli Rodrigues deve azedar de vez a relação entre o político do PSD e o governador Rodrigo Rollemberg. Ao insinuar que há pagamento de propina no Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram), ele escancara o abismo que há entre ele e o chefe do Executivo.

Santana relata o problema vivido por um empresário do DF, que esperaria há um ano e meio por uma licença para ampliar o negócio, em Vicente Pires. Disse que a burocracia só poderia ter um motivo. Quando Marli Rodrigues questiona se é propina. Ele confirma: Exato.

O Governo do DF não quis comentar o assunto. E, por meio da Subsecretaria de Relações com a Imprensa, informou que só vai se manifestar quando tiver acesso a todos os áudios, na íntegra.

Conflitos internos

Quando falaram sobre organizações sociais, Renato Santana duvidou que o governo consiga implementar o modelo na saúde pública do DF. “Você acha mesmo que, em um ano e meio, um governo que não conseguiu decolar… sabe qual é a chance, e eu falo sem medo, de o governo implantar OS? É zero”, disse.

Reconheceu para a sindicalista que o governo está loteado e completamente dividido. “Os caras fazem questão de deixar claro isso. Quem tá lá é o PSD, é problema do PSD. PSD é o cacete, quem está lá é o governo”, desabafou. “As pessoas não se remetem ao governador como líder maior. Não têm referência”, destacou o vice-governador.

“Nem o básico”

E repetiu que a atual gestão não conseguiu fazer nem o “básico” até agora. “Não conseguimos botar para rodar”, simplifica.  Sobre a intenção de implementar o modelo “a toque de caixa”, ele diz que o governo parece ignorar o Ministério Público e os servidores públicos. “Em um ano e três meses, não conseguimos botar para rodar uma PPP. Sabe por que? Por que tem 20 nêgo fora do governo se matando pelo lixo”, disse.

Versão oficial

Ontem, a Secretaria de Economia e Desenvolvimento Sustentável do DF resolveu se manifestar sobre a fala do vice-governador de que haveria prisões no governo, por conta das parcerias público-privadas. Na nota, a pasta diz que resolveu sugerir a transferência da Subsecretaria de PPP’s para uma secretaria do núcleo de gestão central do governo.

É praxe, diz a pasta, do governador  e do  vice alertar quanto à necessidade de contínuo aprimoramento dos mecanismos de controle de cada órgão e a estrita observância dos princípios legais, constitucionais e norteadores da administração pública.

“A secretaria desconhece qualquer irregularidade de agente público ou privado nessa questão”, diz a secretaria, que reforça que é “de fundamental importância para o desenvolvimento econômico e social do DF as parcerias com a iniciativa privada”.

A conversa

Renato Santana – Hoje eu fui em Vicente Pires, onde um cara tem uma casa de material de construção. Aí o camarada, há um ano e meio, está tentando tirar uma licença para desdobrar madeira. Ele não pode pegar a tora e processar lá, mas ele recebe a madeira já processada e recebe uma tábua de dois metros. Se você vai lá e quer comprar uma tábua de 0,50 centímetros, ele corta para você. Desse corte, sai o pó de serra, que ele pega e entrega no Zoológico para ser utilizado nas baias dos animais. Quando o pó está vencido, ele vai lá e recolhe e vende ou dá para uma associação de chacareiros para fazer adubo. Fez tudo certo. Foi no Ibama, pagou taxa, publicou no Diário Oficial… E o Ibram… O que você acha que é isso? Eu não acreditei e fui lá (…) O cara do Ibram falou que é por que tinha uma dúvida e tinha que consultar a Terracap, sobre a regularização das terras (…) O que você acha que é isso?
Marli Rodrigues – Propina?
Renato Santana – Exato.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado