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Política & Poder

Braga classifica intimação da PF como abuso: ‘não precisava ser às 7 da manhã’

O pedido para ouvir o senador é assinado pelo delegado da PF Bernardo Guidali Amaral e solicitava o comparecimento de Braga às 10h desta terça-feira

Aline Rocha

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O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), classificou como um “abuso” o fato de ter sido informado pela Polícia Federal no início da manhã sobre um depoimento que deveria prestar ao órgão.

A PF foi até a residência do senador, em Brasília, chamá-lo para prestar esclarecimentos em uma investigação da qual é alvo. O inquérito apura supostas doações de R$ 40 milhões feitas pelo grupo J&F a senadores do MDB para as eleições de 2014. A informação partiu da delação de Ricardo Saud, que serviu como base para a instauração do inquérito.

“Eu acho que, para que eu fosse notificado de um agendamento de oitiva, não precisava ser às 7 horas da manhã, podia ser a qualquer momento. Eu tenho local certo e conhecido, não só em Brasília, como no meu Estado”, disse o senador em entrevista no Senado. “Não sou daqueles que respondem de forma desequilibrada, mas creio que este é um dos abusos que nós precisamos evitar no Brasil.”

Os advogados, afirmou Braga, buscarão uma reparação na Justiça. A defesa, alegou, ainda não teve acesso à decisão judicial que autorizou o depoimento.

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Pela manhã, o secretário-adjunto da Mesa Diretora do Senado, José Roberto Leite de Matos, assinou um documento certificando compromissos de Braga no Senado e citando uma regra do Código Penal determinando que senadores sejam ouvidos em data e local previamente agendadas pelo parlamentar e o juiz.

Eduardo Braga ‘troca’ depoimento à PF por reunião no Planalto

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) esteve no Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira, 5, para reunião sobre assuntos da bancada da Amazônia. O senador deixou o Planalto por volta das 10h10. Pouco antes, o emedebista havia sido chamado a comparecer na sede da Polícia Federal no mesmo horário para prestar esclarecimentos em uma investigação da qual é alvo.

O próprio senador divulgou em seu Facebook o documento enviado a ele pela PF. O pedido para ouvir o senador é assinado pelo delegado da PF Bernardo Guidali Amaral e solicitava o comparecimento de Braga às 10h desta terça-feira.

Segundo Braga, seus advogados já entraram em contato com a polícia para remarcar o depoimento. “Eu recebi um agendamento de oitiva. E, como sempre, apoio toda e qualquer intimação. O que não é justo é fake news de que imóveis meus ou meu gabinete foram alvo de busca e apreensão”, afirmou o senador ao sair do Palácio do Planalto. Ele estava acompanhado do senador Omar Aziz (PSD-AM). O senador afirmou que se encontrou com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

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A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira, 5, uma série de mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens, por ordem do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

A ação é um desdobramento do inquérito 4707, que apura supostas doações de R$ 40 milhões feitas pelo grupo J&F a senadores do MDB para as eleições de 2014. A informação partiu da delação de Ricardo Saud, que serviu como base para a instauração do inquérito.

Além de Braga, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) foi intimado a prestar depoimento no caso. O senador Jader Barbalho (MDB-PA) e o ministro Vital do Rêgo Filho, do Tribunal de Contas da União (TCU), também estão entre os investigados do inquérito 470.

Defesas

EDUARDO BRAGA

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“O senador Eduardo Braga recebeu esta manhã uma solicitação do Delegado Bernardo Amaral para prestar esclarecimentos no inquérito 4707 (STF). Já estabeleceu contato para ajustar a data O senador sempre se colocou à disposição para colaborar com qualquer investigação. A cobertura midiática de hoje, talvez por sensacionalismo, talvez por desinformação, menciona fato que simplesmente não existiu, na medida em que nenhuma medida de busca e apreensão foi realizada na residência ou em qualquer outro endereço do senador Eduardo Braga.”

RENAN CALHEIROS

“Senador Renan não foi alvo de operação. Não há busca e apreensão, como também não há qualquer determinação a ser cumprida nas dependências do Congresso. Entregaram uma simples intimação para prestar esclarecimentos. Nada mais que isso”.

VITAL DO RÊGO FILHO

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Em nota, a defesa do ministro informou que não houve cumprimento de mandados de busca ou apreensão em endereços do ex-senador, mas uma solicitação para depoimento. “O Ministro é o maior interessado em esclarecer os fatos e, portanto, atenderá a solicitação do depoimento, colaborando com a justiça, como sempre tem feito”, diz o texto.

JADER BARBALHO

“O senador Jader Barbalho recebeu a intimação sobre o Inquérito 4707, entrou em contato com a Polícia Federal para agendar uma nova data, em Brasília, quando prestará todos os esclarecimentos necessários.”

GUIDO MANTEGA

“Guido Mantega não foi alvo de busca e apreensão, apenas recebeu uma intimação para prestar depoimento. Sua defesa já entrou em contato com as autoridades para agendar seu comparecimento, oportunidade em que prestará todos os esclarecimentos no interesse das investigações.”

MDB

“O MDB não comenta decisões judiciais”

PT

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do partido por e-mail. O espaço está aberto para manifestações.

HÉLDER BARBALHO

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do Pará e com a defesa do governador Hélder Barbalho. O espaço está aberto para manifestação.

OUTROS

A reportagem tenta contato com as defesas dos ex-senadores Eunício de Oliveira e Valdir Raupp e também da ex-presidente Dilma. O espaço está aberto para manifestações.


Estadão Conteúdo




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