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Saúde

Homens descobrem câncer de mama em estágios mais avançados

Levantamento da SBRT aponta maior proporção de diagnósticos tardios entre homens e destaca sinais de alerta que exigem avaliação médica

Redação Jornal de Brasília

13/10/2026 15h04

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Homens também são afetados pelo câncer de mama e, segundo alerta da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), costumam descobrir a doença em estágios mais avançados. O tema integra a mobilização do Outubro Rosa.

Um levantamento da entidade, com dados dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC) do Instituto Nacional de Câncer (Inca), identificou mais de 163 mil registros de câncer de mama entre 2020 e 2023, sendo 2.126 em homens. Entre os registros analisados pela SBRT, 1,30% ocorreram no público masculino.

Nos homens com estadiamento registrado, 16,82% estavam no estágio 0; 3,41% no I; 17,48% no II; 32,34% no III; e 29,95% no IV. Entre as mulheres, os percentuais foram de 12,78% no estágio 0; 5,45% no I; 20,20% no II; 35,15% no III; e 26,42% no IV. Os estágios III e IV concentraram 62,29% dos casos entre os homens e 61,57% entre as mulheres.

A maior proporção de casos no estágio IV entre os homens chama atenção para o diagnóstico nesse público, segundo a SBRT. A rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da entidade, avalia que isso ocorre principalmente pelo desconhecimento de que homens também podem desenvolver câncer de mama. Ela afirma que a demora para buscar atendimento ao perceber alterações na região contribui para o diagnóstico tardio.

“A presença de caroços, alterações no mamilo ou secreção, especialmente com sangue, deve ser investigada”, diz Denise. Segundo ela, como os homens possuem pouco tecido mamário, o tumor pode atingir estruturas próximas, como pele ou músculos do peito, mesmo quando ainda é pequeno.

O câncer de mama masculino representa menos de 1% dos casos da doença, de acordo com o texto. Fatores como mutações genéticas hereditárias, obesidade, histórico familiar e alterações hormonais podem aumentar o risco.

Em relação ao tratamento, Denise afirma que a cirurgia costuma ser o principal recurso quando a doença está localizada, podendo ser associada à terapia hormonal, quimioterapia e radioterapia, conforme as características do tumor. Ela também destaca que a sobrevida depende principalmente do estágio em que a doença é diagnosticada e das características do tumor.

A médica diz que a sobrevida relativa de homens com câncer de mama em cinco anos é superior a 80%, considerando todos os estágios da doença, podendo ultrapassar 95% quando o câncer é identificado ainda restrito à mama. Segundo ela, apesar de o diagnóstico frequentemente ocorrer em fases mais avançadas, há boas possibilidades de tratamento quando a doença é detectada precocemente.

No recorte sobre mulheres, levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com dados dos RHC, analisou quase 118 mil mulheres diagnosticadas entre 2020 e 2023. Entre aquelas de até 39 anos, 14,4% foram diagnosticadas nos estágios 0 ou I, enquanto 85,6% receberam o diagnóstico nos estágios II, III ou IV.

Sociedades médicas brasileiras recomendam rastreamento por mamografia a partir dos 40 anos para mulheres sem fatores conhecidos que elevem significativamente o risco. Já mulheres com risco aumentado podem ter indicação de acompanhamento individualizado e início mais precoce dos exames, conforme avaliação médica.

Com informações da Agência Brasil

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