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Saúde

EUA aprovam remédio para Parkinson que pode diminuir risco de compulsões

Fabricante do medicamento informou que avalia como poderá disponibilizá-lo para pacientes em outros países, mas não disse se já submeteu ou quando pretende submeter os estudos à Anvisa

Redação Jornal de Brasília

01/10/2026 16h58

remedio

Foto: Reprodução/ Picas Joe/ Pexels

LAIZ MENEZES
FOLHAPRESS


A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou um novo tratamento para a doença de Parkinson. O tavapadon, administrado uma vez ao dia em comprimido, chegou ao mercado americano na segunda-feira (28) com o nome comercial Juvmo.

Ainda não há previsão de quando o remédio estará disponível no Brasil. Procurada, a AbbVie, fabricante do medicamento, informou que avalia como poderá disponibilizá-lo para pacientes em outros países, mas não disse se já submeteu ou quando pretende submeter os estudos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Mais de 11 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, segundo a Parkinson’s Foundation. No Brasil, de acordo com a ABN (Associação Brasileira de Neurologia), são mais de 500 mil. A doença afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos e não tem cura. Os tratamentos disponíveis buscam controlar os sintomas.

É uma doença neurodegenerativa marcada pela perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos. Tremor, rigidez e alterações no equilíbrio estão entre os sintomas mais comuns.

“A base do tratamento da doença segue sendo a chamada reposição de dopamina. Ou seja, progressivamente vamos acrescentando fármacos que são estimulantes diretos do receptor de dopamina ou que de forma indireta aumentam a disponibilidade da levodopa, o principal precursor farmacológico”, explica o neurologista Felipe Sampaio Saba, especialista em distúrbios do movimento e médico do Einstein Hospital Israelita.
A levodopa é convertida em dopamina no cérebro e é o principal medicamento usado para repor a substância. Já os agonistas dopaminérgicos estimulam diretamente os receptores de dopamina.

O tavapadon pertence à classe dos agonistas dopaminérgicos, mas age principalmente sobre os receptores D1 e D5. Os outros agonistas disponíveis no Brasil, como o pramipexol, de uso oral, e a rotigotina, aplicada por meio de um adesivo, atuam sobretudo nos receptores D2 e D3.

Segundo Saba, esses medicamentos têm indicações específicas e podem precisar ser suspensos em alguns pacientes por causa de efeitos adversos, como sonolência e inchaço nas pernas.

Um dos mais relevantes é a desregulação do controle dos impulsos, que pode levar a comportamentos compulsivos ligados a jogos e apostas, compras, alimentação e atividade sexual.

Para o neurologista, a ação seletiva do tavapadon deve reduzir esse risco. “O tavapadon veio exatamente para estimular o grupo de receptores de dopamina em que isso não acontece. Por isso que a gente diz que ele é muito seletivo. Estimular os receptores D1 e D5 diminui muito isso, então a gente tem uma segurança maior”, afirma.

Essa característica, segundo o médico, pode ampliar o grupo de pacientes beneficiados. “É um grupo de remédios que a gente pode usar isoladamente no início da doença, quando os sintomas são muito frustros, são muito discretos, e a gente pode inclusive usar em fases mais adiantadas da doença em combinação com os outros.”

A aprovação da FDA se baseou em três estudos de fase 3, que incluíram pacientes em fase inicial da doença e pacientes já em uso de levodopa. Os resultados mostraram melhora dos sintomas. Náusea, tontura e dor de cabeça estiveram entre os efeitos colaterais mais comuns.

Saba ressalta que ainda não há evidência direta de superioridade da tavapadona sobre outros remédios da mesma classe, já que os estudos compararam o novo medicamento apenas com placebo.
“Estes estudos são geralmente conduzidos pelos laboratórios e sempre temos que ter um olhar muito crítico sobre eles”, diz. “Por isso que o Brasil sempre tem muita cautela na aprovação.”

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